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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

08 de dezembro - Dia de Nossa Senhora da Conceição


08 de dezembro, dia da nossa padroeira... Dia de Nossa Senhora da Conceição.
Embora não seja católica, estudei no Colégio Franciscano Nossa Senhora Aparecida desde o 4º ano e lá aprendi a conhecer, respeitar e admirar as imagens e a vida dos santos que nos eram relatadas pelas irmãs franciscanas com muito carinho. Mesmo minha família não sendo católica, jamais houve qualquer proibição ou mesmo manifestação de que não deveríamos ir a missa ou participar de todas as festividades ou comemorações da igreja católica, assim sendo, foram várias as procissões de Nossa Senhora que participei ao longo de minha vida estudantil, sempre com muito respeito e verdadeira adoração. Hoje, não frequento mais a igreja, não vou as missas, as novenas,  ou a procissão de Nossa Senhora da Conceição, mas conservo em meu coração o carinho, o respeito e a fé neste espírito puro, que encarnada na vida terrena, doou-se em amor a humanidade, sendo a mãe de nosso mestre Jesus Cristo. 
Sobre Nossa Senhora da Conceição, escrevi em uma história para crianças “ A oncinha Acanguaçu”  o seguinte:
Um dia eu andava distraída  quando derrepente... Ai!... , que susto, um indiozinho estava bem na minha frente , acabamos ficando amigos e ele me batizou de Acanguaçu, que na língua dele significava , entre outras definições "  Cabeça Grande ". O tempo foi passando e a nossa amizade era cada vez mais forte, até que um belo dia não vi mais meu amiguinho, fiquei triste, desolada, pois tu sabes pequenino que ter um amigo é muito importante. Pois bem, procurei meu amiguinho e não encontrei, custei a compreender que a página tinha virado e que para eu rever meu amiguinho, precisava começar a ler tudo novamente, mas a curiosidade pelo que havia nas outras páginas do livro me fizeram avançar para a próxima página e, quando espiei devagarinho, escondido na margem , pois havia vozes alteradas, dois homens bem diferentes dos índios brigavam; eu não entendia bem o motivo da briga, mas parece que os dois queriam ser donos do mesmo pedaço de terra, até que ouvi falarem em "Nossa Senhora da Conceição" ... Sim ouvi bem direitinho, e a briga acabou, porque eles resolveram doar a terra para  Nossa Senhora da Conceição, uma bonita Senhora, cheia de luz, e fizeram para ela morar uma casinha  branca, pequena, simples mas cheia de paz e, esta Senhora era tão boa, tão querida por todos naquele lugar que homens e mulheres deixaram suas casas e construíram moradas novas, próximas a  Daquela Senhora tão boa e, para deixa-la feliz plantaram flores, fizeram uma bonita praça em frente a sua casinha.
( palavras da oncinha)

E foi assim... Sob o olhar de Nossa Senhora da Conceição que nasceu o nosso município e é assim, sob o Seu olhar protetor, do alto do cerro, que Ela olha por nós e recebe todos os anos o carinho da comunidade católica de Canguçu..  e eu, humildemente lhe agradeço todas as graças derramadas neste município e lhe peço com muita fé a Sua proteção, para que possamos todos sermos envolvidos pela Sua luz, Senhora mãe de Jesus.
Um pouco de história...
            A imagem de Nossa Senhora da Conceição, com cerca de 40 cm de altura “ de rara beleza e fina escultura” é a primitiva, somente despojada  de sua coroa de prata, maculada pelo raio que caiu em 1914. Essa imagem é de origem desconhecida e é mais antiga do que a povoação.
            No ano de 1870, ao término da guerra do Paraguai, foi pela primeira vez substituída no altar mor por acharem-na muito humilde, ao que protestou grande parcela de fiéis, sob a alegação de que:

 “Fora aquela pequenina senhora que batizara, casara e enterrara muitas gerações de fieis e também fora a que assistira as guerras, as dores e as alegrias locais, e por isso, no altar mor deveria ficar.”

            Este argumento encerrou a discussão e determinou sua volta ao altar mor.
            Em 1912- 1914, teve sua integridade ameaçada por raios que penetraram por janela lateral existente à direita do altar mor.
            Quando do incêndio da sacristia em 1921 ela foi salva das chamas pelo jovem canguçuense Valter Oliveira Prestes que, com o risco de queimar-se a salvou das chamas entre aplausos de fieis. Ele pertencia a confissão religiosa episcopal. Um sinal do atual ecumenismo.
            Em 1993, perto dos 200 anos de canguçu, a histórica imagem foi mandada pintar por restaurador especialista em Pelotas pelos casais festeiros da novena de 1993, segundo a professora Maria da Graça Valente da Silveira, em artigo do "Liberal"- Memória da padroeira de Canguçu 1998.


Fonte: Os 200 anos da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição. 1800-2000-  autor Coronel Cláudio Moreira Bento.

domingo, 26 de junho de 2016

QUEM SOU EU?


Homenagem ao meu Canguçu nos seus 159 anos de História.

Sou um município bastante antigo, normalmente minha história é contada a partir de 1° de janeiro de 1800, com o lançamento da pedra fundamental da Capela Curada de Nossa Senhora da Conceição, porém, eu  tenho muito mais histórias para contar.
No século XVIII, minhas terras serviram de base de guerrilhas portuguesas, comandadas pelo legendário Major Rafael Pinto Bandeira,  contra os espanhóis que  avançavam pelo Rio Grande de São Pedro.
Gosto de imaginar que Érico Veríssimo, ao escrever a sua consagrada obra “ O tempo e o vento” estivesse usando como cenário as minhas terras, quando escreveu o romance Ana Terra, imaginando ele  um lugar ermo, descampado, no entanto, com uma paisagem muito bonita e própria para o desenrolar da história, visto que por aqui costumavam passar os chamados “castelhanos”.

Mas continuando ... Pelo Tratado de Santo Ildefonso, tornei-me fronteira de fato entre as terras que pertenciam a Portugal e Espanha por cerca de 24 anos (1777/1801).  Meus povoadores foram os guerrilheiros das tropas de Rafael Pinto Bandeira,  portugueses deslocados da colônia do Sacramento que passou para o domínio espanhol e açorianos que vieram para povoar  os 7 Povos das Missões por estar estes envolvidos pela Guerra Guaranítica, permaneceram na região de Mostardas, Estreito e São José do Norte, vindo parar em minhas terras.
Somente em 1857, pela Lei Provincial n° 340, passei a existir como município; neste meio tempo, cheguei a integrar os municípios de Rio Grande e Piratini. Meus filhos lutaram em todos os movimentos armados do sul do país, lutaram também no Paraguai e foram integrar as Força Expedicionária Brasileira na Itália, durante a 2ª Guerra Mundial. Esta parte da história é triste, foram muitas perdas brasileiras e eu não gosto de lembrar.
            Sou um município miscigenado, como de resto todo o país. Recebi em minhas terras, portugueses, espanhóis, africanos, italianos, pomeranos e tantos outros, isto  sem falar nos índios, nativos das minhas terras;  desta mistura nasceu este povo canguçuense ao qual agradeço, pois ao longo do tempo fizeram de mim o que hoje sou, um município próspero, reconhecido como um das maiores economias da Zona  Sul do Estado, um município que luta, que prospera e que a cada novo dia se enche de esperança no futuro.





            

domingo, 3 de abril de 2016

Nossa Igreja Matriz... Nosso belo cartão postal












A muito tempo não me dedico a este blog... 

Hoje bateu a saudade...

Quando vejo, imponente, a Igreja Matriz lançando seu olhar sobre os filhos desta terra... 

Relembrando a história, sei que a "nossa Igreja", o nosso "cartão postal", no passado enfrentou sérias dificuldades estruturais e também,  devido ao grande número de seguidores, sua estrutura  ficou pequena para abrigar os fiéis, precisando recorrer a uma reforma do templo, achei importante trazer a vocês esta história.

Gostaria de registrar que quando falo "nossa Igreja Matriz" é porque a percebo de todos os Canguçuenses, católicos ou não. Justifico que embora não sendo Católica, reconheço a importância histórica deste templo  e desejo que para todo o sempre esteja nossa igreja ali, naquela esquina, com suas portas abertas, acolhendo os canguçuenses e visitantes, mostrando toda a sua beleza, elevando os espíritos de todos os que passam pelo seu portal, seja em busca de consolo espiritual, das bençãos do Senhor ou para uma simples visita.

Que nossa bela Igreja Matriz viva para sempre.



AS OBRAS DA IGREJA MATRIZ DE CANGUSSÚ.

OBS: Na época o nome do município era escrito com  SSÚ, tendo sido alterada para “ Canguçu” somente na década de 1960. O título da matéria foi escrito conforme o original, nas demais vezes em que a palavra aparece usei a grafia atual.

             Entre as várias obras de arte em andamento no sul- do país, de autoria e realização do artista conterrâneo Adail Bento Costa, inclui-se a centenária Igreja Matriz de Canguçu.

TEMPLO CENTENÁRIO E COMBALIDO

            Esta igreja, contando atualmente 150 anos, atingira um péssimo estado, quanto a sua resistência, embora toda construída em pedra. Lançada em boas proporções arquitetônicas, sobretudo para a época em que foi construída já se tornara pequena para a cidade atual.

TORNOU-SE NECESSÁRIO AUMENTA-LA

            Formaram-se duas correntes, uma era a favor da conservação da antiga igreja, coisa alias justíssima, em se tratando de patrimônio histórico e quiçá artístico, pois a igreja encontrava-se por último, completamente deturpada. A outra, era de opinião que se deveria demolir o templo, fazendo-se uma outra igreja completamente nova  e em bem maiores proporções.

CONVIDADO O ARTISTA

            Indo a passeio a Canguçu, Adail Bento Costa foi convidado a dar sua opinião sobre o assunto. Achamos que a comissão-de-obras agiu com grande felicidade em convidar o artista, porque sendo ele um dos maiores conservadores de arte antiga do Brasil, conseguiu num relance conciliar os dois pontos-de-vista, ou seja, conservando a linha arquitetônica primitiva e aumentando a resistência e o tamanho necessário aos fiéis.

CONCILIADOS OS PONTOS DE VISTA

            Estes dois pontos-de-vista foram unidos da seguinte maneira: conservando a fachada com as duas torres, restaura-las, suprimindo tudo o que tenha sido adicionado posteriormente à construção (deturpações), demolir o resto da igreja e construir outra mais longa, composta de 3 naves, separadas por arcos laterais, capela-mor, capela Nossa Senhora das Graças, uma sacristia e uma biblioteca que por sua vez liga-se a casa paroquial.

PERSPECTIVA DA OBRA EM CONJUNTO

            A igreja está situada defronte a praça central. No decorrer da fachada, à esquerda, será construído um muro e portões coloniais, dando acesso a um jardim e casa paroquial que é ligada a matriz, fazendo parte integral do bloco da construção. Do lado direito há uma rua em declive que, chegando à parte posterior dá-nos mais 4 metros  e vinte de altura ao templo. Tal diferença facilitou a construção de um grande salão paroquial sob a sacristia e que abrange toda a largura da igreja.
            Sendo assim, de vários pontos da cidade, essa obra nos dará perspectivas surpreendentes de grande beleza quer no que diz respeito à obra de estilo, como enquadrada em conjunto no difícil e pitoresco plano urbanístico.


DECORAÇÃO DO TEMPLO

            Será feita no gosto da época em que foi construída, queremos dizer: primando pela singeleza. Assim as paredes serão caiadas de branco. Os tetos em óleo branco-fosco. Os altares nichos, em óleo branco- fosco e molduras, florões e demais ornatos, serão recortados em azul-português brilhante. As portas internas e externamente, no mesmo azul. As imagens serão as mesmas antigas, em cedro esculpido, laminadas em ouro e pintadas em estilo barroco, restauradas por Adail bento Costa, os lustres e demais pendentes de iluminação, obedecerão estritamente as exigências do estilo, bem assim as credências, os bancos a mesa da comunhão, confessionários e demais mobiliários  ao culto.
            Serão conservados também a pia batismal (trabalho originalíssimo, rústico em granito)e mais duas para água benta, à entrada da porta principal. É preciso acentuar que todo o mobiliário será desenhado e dirigido por Adail Bento Costa.

EXEMPLO DE GENEROSIDADE DIGNO DE IMITADORES

            Adail Bento Costa nasceu na cidade de Pelotas. Sua Exma. progenitora era filha de Canguçu, pertencendo à tradicional família Bento, uma das maiores lá existentes. Eis um dos motivos pelos quais ao aceitar a responsabilidade da obra, o artista ofertou gratuitamente o seu trabalho.
            Saudando o povo canguçuense  no primeiro centenário de sua cidade, almejamos que esse exemplo de desprendimento encontre eco entre os verdadeiros amigos dessa terra de tradições heroicas e de rasgos generosos, empenhados seriamente em dotar em breve a sede municipal de uma obra arquitetônica digna de seus reconhecidos foros de cultura.


Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição
Ano: 1949

Arquivo fotográfico do Museu Municipal Capitão Henrique José Barbosa
 Estamos publicando nesta página uma reportagem sobre a restauração da Matriz de Canguçu (trabalho do nosso prestimoso colaborador Dr. Francisco Dias da Costa Vidal) em que são focalizados pormenores da obra.
           
Nada mais justo e oportuno do que entrevistar o Dr. Tasso Selistre, presidente da comissão de obras, a fim de que nos relatasse o trabalho da mesma comissão na importante campanha em prol da restauração do tradicional templo.

IMPORTANTES DECLARAÇÕES DO DR. TASSO SELISTRE

            Abaixo transcrevemos nossas perguntas e as respostas do Dr. Tasso Selistre, presidente da comissão de obras pró-restauração da matriz de Canguçu:

-Como está constituída a Comissão de Obras?

-A atual Comissão de Obras data de 7 de dezembro de 1953, quando nomeada por S. Excia. Rvma Dom Antônio Zattera , D.D. Bispo Diocesano, o qual houve por bem distinguir-nos com a presidência,  sendo constituída de mais os seguintes membros efetivos : Hugo Nobre do Nascimento, vice-presidente; Cândido Silveira Van-Gysel, primeiro tesoureiro; Thomaz Fonseca, segundo tesoureiro; Raul Soares da Silveira, secretário.
É óbvio que a Comissão sempre foi assessorada pelos Ver. Padres da paroquia Júlio Marins e Zomar Garcia, vigário e coadjutor respectivamente, e Hilário de Melo Munhoz e Severino Frizzo, que o sucederam.

-Como foi iniciada a campanha para angariação de fundos para a vultosa obra?

          -As condições precárias do velho e tradicional templo a muito prendiam a atenção dos católicos de Canguçu e preocupavam os seus frequentadores. Daí uma série de iniciativas levadas a efeito no decorrer dos anos, seja para soluções de emergência, seja para uma obra de caráter definitivo e que já se vislumbrava. Neste sentido destaca-se a campanha desenvolvida por um grupo de senhoras da sociedade local, encabeçada pela distinta dama D. Cacilda Moreira Bento, pertencente a uma das mais antigas famílias do município, cuja coleta somada a outros donativos, proporcionou a comissão uma apreciável base para o começo de suas atividades, um encaixe de cerca de Cr$ 100.000,00, isto nos primeiros meses de 1954.
   Posteriormente novas instituições foram criadas, por exemplo: a dos legionários, os que contribuíam com um mínimo de Cr$ 2.000,00 ainda que parceladamente e que terão os nomes gravados  no interior da Igreja; a dos provedores, a cargo das dedicadas zeladoras do apostolado da oração e auxiliares,  o  que mediante módicas contribuições mensais , ensejam  a indenização de pequenas e correntes despesas; a dos obreiros, isto é, os que contribuem com mão de obra ou material de construção. Acresçam-se  a isso prestimosas  doações de fiéis  e amigos de Canguçu.
           
         - Em quanto está orçada a restauração final?

         - O projeto adotado é de autoria do preclaro professor Adail bento Costa , acompanha-se de um orçamento  a título informativo que supera Cr$ 3.000,00. Todavia cumpre salientar  que esse custo baixará muito dadas a orientação seguida  e a reiterada gratuidade  verificada: Planta, responsabilidade  do arquiteto, serviços materiais ,transporte, etc.

         - Para quando está previsto o término da obra?

        -Não há tal previsão, precisamente porque a reconstrução da Matriz está e continuará subordinada as condições do momento, às possibilidades que se abrirem em consonância com a maior ou menor cooperação encontrada. Pode-se dizer que os canguçuenses tem em suas mãos o controle da celeridade das obras.

         -Como foi recebida pela população de Canguçu a ideia da restauração da Matriz?

        -Não se trata de uma ideia recente e sim amadurecida. A diferença está em que, agora se a pôs em prática, se  concretizou. Alias uma decorrência imperante da necessidade. A edificação antiga se ressentia da ação prolongada e destruidora do tempo, tanto que três técnicos condenaram-na, chegando a admitir o perigo de que ruísse.

       - Tem sido bem recebida pelos canguçuense a campanha desenvolvida pela comissão de obras?

    - Tudo faz crer numa afirmativa, mesmo diante da generosidade dos auxílios prestados e do interesse, quiçá, entusiasmo, manifestado pelos canguçuenses  no reerguimento da Matriz. Isso até permitiu a aquisição de um valioso prédio, situado na Praça Marechal Floriano, em pleno centro da cidade, a construir um fundo patrimonial da paroquia e resolvendo a difícil situação criada com a demolição do primitivo templo: instalação transitória da Igreja, da casa paroquial e das obras assistenciais.

         Ao finalizar, o Dr. Tasso Selistre nos prestou mais as seguintes declarações  sobre a restauração da centenária Matriz:

      A Igreja parcialmente demolida há mais de século e meio acolhia o povo de Canguçu, nela se lhe dispensando conforto moral e espiritual. Na sua reconstrução, muito ampliada em virtude das necessidades da paroquia, conservar-se-á  o estilo e se manterá  a fachada em respeito a tradição.
     A proposito salienta-se que professor Adail Bento Costa, renomado artista patrício, apanhou e compreendeu com muita exatidão os sentimentos dos paroquianos de N. S. da Imaculada Conceição ao elaborar o seu projeto.
     A interferência do professor, planificando e orientando a obra é algo de decisivo  e inestimável para o empreendimento, reflexo de um desprendido e magnífico coração, não menos valioso sendo os préstimos do seu colaborador, o engenheiro Fernando Bezerra Bertoli. A nova Matriz será obra de mérito marcante para Canguçu e seus filhos. Quem constrói a casa de Deus na terra, constrói o próprio lar no céu.


FONTE: Jornal Diário Popular de 14 de novembro de 1957   
            
Arquivo Nº 2 - Museu Municipal Capitão Henrique José Barbosa 



 Igreja Matriz  Nossa Senhora da Conceição
No ano de 2015 realizou a sua 102ª  Novena em homenagem a Padroeira do Município



Coroação de Nossa Senhora - década de 1940

Arquivo Fotográfico do Museu Municipal Capitão Henrique José Barbosa

(OBS- O estandarte de Santa Terezinha que aparece a direita na foto encontra-se em exposição no Museu Municipal Capitão Henrique José Barbosa)

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

UM ADEUS AO ESTEIO MESTRE DO CTG SINUELO


( Fotografia tirada em 04.08.2005)

Dia 15 de setembro... Semana Farroupilha... Data especialmente escolhida por Nosso Senhor para a despedida de um grande tradicionalista, Senhor Armando Ecíquio Peres.
Há momentos em que procuramos as palavras certas para expressar a grandeza das pessoas, ou aquilo que sentimos frente a determinados acontecimentos, mas por incrível que pareça, todas as palavras somem e nos deixam sem saber como expressar o que pretendemos.
Sabe-se que este amigo já estava idoso, doente, talvez até cansado de andar por esta existência... Por certo sentia falta dos amigos que partiram antes para a eternidade e saudade da companheira de tantos anos. Tudo isso é fácil de entender e enxergar, difícil será ver o CTG Sinuelo sem o seu “Esteio Mestre”, aquele que lhe deu vida, que o ergueu e reergueu, aquele que o embelezou e deixou a sua marca em cada tijolo, em cada telha, em cada parede construída.
Acredito hoje o CTG Sinuelo teve a sua maior perda, mas dizer só isso seria muito pouco, o certo seria dizer que o tradicionalismo hoje está de luto pela partida de seu grande incentivador e Canguçu chora sentidas lágrimas por este filho que a tantos anos adotou como seu... Já não se encontra entre nós aquele que tanto amor dedicou a tradição gaúcha, aquele que tanto amou o CTG Sinuelo.
Sr. Armando Ecíquio Peres, quem no meio tradicionalista não o conheceu?...
Vou lembrar com carinho todas as vezes que me chamou de “minha querida”, numa clara demonstração do afeto que tinha por todas as prendas que representaram um dia o CTG Sinuelo, entidade da sua mais cara adoração.
Lembro-me ainda o quanto torcia para que conseguíssemos alcançar a tão almejada titulação de 1ª Prenda da 21ª Região Tradicionalista ... Lembro da sua alegria e satisfação quando conseguíamos conquistar a faixa que ele, talvez até mais do que nós , adorava e valorizava... Lembro também o quanto sentia-se entristecido e frustrado quando o Sinuelo participava dos concursos estaduais não conseguia o titulo que ele tanto esperava, o de 1ªPrenda do Estado do Rio Grande do Sul, Acredito que a amiga Janeti Vargas, 1ª Prenda do Estado do Rio Grande do Sul, a Viviane Oliveira, Primeira Prenda Mirim do Rio Grande do Sul e a amiga Nilceane Fonseca, 2ª Prenda Mirim do Rio Grande do Sul, deram para este velho amigo o melhor dos presente, o tão sonhado título estadual, não estive presente em nenhum destes momentos, mas posso imaginar a sua satisfação e grande alegria. Perdoa-me velho amigo por também não ter te dado esta alegria.
Gostaria de imaginar que...
Por certo hoje , nem bem clareou o dia, teu grande amigo Raul Silveira, já estava na porteira a tua espera, te convidando a chegar para diante na estância celestial ... Imagino-os, depois de um bem cinchado abraço, sorvendo um bom chimarrão e declamando as poesias que os dois tanto gostavam.
Imagino ainda...
Que o trio, agora completo, Armando Ecíquio Peres, Raul Silveira e Pedro Luiz, erguerão na estância celeste, um grande galpão para que também lá possam seguir amando a cultura gaúcha, declamando, cantando e acolhendo a todos os que forem chegando com aquela tradicional hospitalidade do Rio Grande.

Senhor Armando Peres, ao senhor o meu carinho e o meu respeito.

ARMANDO ECÍQUIO PERES

                   Nasceu em Herval, no RS, no dia 03 de outubro de 1917. Filho de João de Deus Peres e Leonídes Alexandrina Peres, formando uma família composta por 7 irmãos.
             Casou-se em 30 de maio de 1941 com a  senhora Almerinda Soares Peres (dona Santa).
             Armando Peres iniciou sua caminhada no tradicionalismo na década de 50, no C.T.G Alexandre Pato de Lagoa Vermelha, passando pelo C.T.G 20 de Setembro de Piratini como sota-capataz , após foi patrão do C.T.G Felipe Portinho se Marau e finalmente 8 vezes patrão do C.T.G Sinuelo de Canguçu.
             Chegou à Canguçu em 23.12.1963, transferido da Coletoria Federal de Marau, para aqui trabalhar; aqui chegando, tornou-se amigo de Raul Soares da Silveira e de Pedro de Oliveira Luiz.
             Em 20 de setembro de 1964 fundou , juntamente com Raul Silveira o  C.T.G Sinuelo .
      Armando Peres teve ainda as seguintes participações dentro do  Tradicionalismo:
- Sota-capataz do C.T.G 20 de Setembro de Piratini;
- Fundador do C.T.G Sinuelo de Canguçu .Construtor e mais tarde restaurador do galpão.
 Patrão do C.T.G Sinuelo por 8 vezes.
- Patrão do C.T.G Felipe Portinho de Marau.
- Coordenador da 21ª RT por 9 vezes.
 Conselheiro do M.T.G ,eleito por vários períodos ,bem como membro da junta fiscal do M.T.G.
- Conselheiro do Piquete “Vanguardeiro”.

ALGUNS TÍTULOS E HOMENAGENS RECEBIDAS

- Moção de louvor da Câmara Municipal de Vereadores de Canguçu.
- Honra ao Mérito (Piquete Raul Soares do Amaral de Piratini)_
- Ordens de Bento Gonçalves e Joaquim Teixeira Nunes de Pedro Osório.
- Sócio fundador e efetivo do Instituto De História e Tradição (IHTRS)
- Sócio Acadêmico da ACANDHIS- Cadeira n°8-patrono Zeca Neto.
- Cartões de Prata da ASCANSUL,da Gauchada de Pedro Osório ,da rádio  Alvorada de Marau e do CTG  Felipe Portinho de Marau.
- Sócio de honra e benemérito  do CTG s 20 de Setembro de Piratini
-e Tropeiros da Querência de Arroio Grande.
- Sócio Honorário   do CTG Minuano do Herval.
-Honra ao Mérito da Divisão L 8 H-2 do Lions Club.
-Cidadão canguçuense.
-Comenda da Ordem de J Simões Lopes Neto .
-Comenda da Ordem de Gumercindo Saraiva da 21ª RT.
-Títulos de Conselheiro Honorário e Conselheiro Benemérito do Movimento Tradicionalista Gaúcho.
-Destaque especial da Rádio Cultura em 1999-Mérito tradicionalista  21ªRT.

             Armando Eciquio Peres faleceu em Canguçu aos 97 anos de idade, no dia 15 de setembro de 2015, durante os festejos da Semana Farroupilha, justamente no dia da Ronda do CTG Sinuelo, seu CTG do coração.



XIII Congresso Tradicionalista em São Gabriel - 1967


Raul Silveira, Pedro de Oliveira Luiz e Armando Ecíquio Peres

Fotos: Arquivo Fotográfico do Museu Municipal Capitão Henrique José Barbosa

sábado, 25 de julho de 2015

Parabéns aqueles que semeiam a terra - 25 de julho - Dia do colono


O amigo Nilso Pinz inicia seu belo trabalho de pesquisa intitulado “ Breve Resgate do povo pomerano e seus reflexos históricos e culturais no município de Canguçu/RS com as seguintes citações:
            “ Travou-se, assim, uma luta pela sobrevivência, que, pelas condições sob as quais foi travada  se constitui - e permanece até hoje - uma das mais belas e épicas páginas de nossa História.” – Jairo Scholl Costa – Livro: São Lourenço do Sul- 100 anos- 1884 a 1984- pg.53.

            “Quantas riquezas nas festas desse povo! Quanta riqueza nos seus costumes, no seu folclore! Quanta Simbologia! Ainda é momento de resgata  estas riquezas em todas as áreas da vida, na atual caminhada do povo pomerano em solo gaúcho.” Helmar Reinhardd Rölke – Livro: Descobrindo Raízes- Aspectos Geográficos, Históricos e Culturais da Pomerania – pg.90

Palavras carregadas de verdade, pois acredito que elas sintetizam a essência deste povo trabalhador, que semeou o solo e, com paciência, esperou que a semente frutificasse , unidos em um esforço comum, para ver realizado o sonho de uma vida mais farta, sonho este que os trouxe para a terra brasileira, mais precisamente o nosso Rio Grande do Sul, para por fim, semear em solo canguçuense,  sua perseverança e  sua rica cultura.
Não poderia deixar passar esta data sem homenagear o nosso colono e ressaltar, que o ofício dos pioneiros, junto a terra, frutificou e seus descendentes souberam muito bem continuar a obra iniciada, pois graças ao trabalho fecundo e perseverante  destes imigrantes e seus descendentes, nosso município já se colocou em vários momentos de sua história, como grande produtor de soja, milho, fumo e pêssego, sempre contando com o labor incansável do nosso colono.

Aproveito a oportunidade para trazer ao conhecimento dos amigos leitores e relembrar a outros tantos, alguns nomes que fizeram parte da história dos pomeranos e alemães em nosso município, bem como atividades desenvolvidas pelos mesmos:

-Dr. A. Schulmann- Médico- Com estudos na Alemanha e Suiça- Clinica Geral, doenças de crianças, Cirurgia e partos. Atende dia e noite na Farmácia Confiança em Cangussú.
- Adolfo Ehlert Borchardt – Casa comercial e açougue  de suínos - 2º sub-distrito de Cangussú- Florida.
-Alberto Neuenfeld- Serraria- 1º sub-distrito de Cangussú- Solidez.
-Adolfo Wachholz- Correaria - 1º sub-distrito de Cangussú- Solidez.
-Alfredo Wachholz- Casa Comercial- secos e molhados, louças, tintas, roupas feitas, chapéus, ferragens e miudezas. 1º sub-distrito de Cangussú- Solidez.
-Aldo Kuntz- Casa Comercial- Secos e molhados, louças, tintas,, miudezas etc. Dedica-se também a agricultura - 1º sub-distrito de Cangussú Velho.
-Albino Rodiess- Ferraria- Executa qualquer tipo de serviço- 1º sub-distrito de Cangussú- Solidez.
-Alberto Wienke- Casa de comércio em geral- caminhões próprios para transportes, moinho, açougue, serraria, carpintaria, ferraria, depósito, criação de suínos, agricultura, pecuária, cancha de carreira. Um estabelecimento que orgulha o município. 2º sub-distrito de Cangussú- Herval.
- Augusto Karnop- Carpintaria- Executa todo e qualquer serviço do ramo-  2º sub-distrito de Cangussú- Herval.
- Alberto Hobuss- secos e molhados e miudezas em geral- -  2º sub-distrito de Cangussú- Herval.
- Augusto Hobuss Filho- Ferraria-Executa qualquer serviço do ramo -  2º sub-distrito de Cangussú- Santa Bárbara.
-Afonso Retclaff- Ferraria- Executa todo e qualquer tipod de serviço do ramo, atendida pelo proprietário- Vista Alegre.
- Augusto Otto Idalino Timm- Casa Comercial- -  2º sub-distrito de Cangussú- Iguatemi;
-Arnaldo Strelow- Moinho e Casa Comercial-  2º sub-distrito de Cangussú- Iguatemi.
- Arthuro Schelle- Casa Comercial- Secos e molhados, louças, tintas e miudezas - 2º sub-distrito de Cangussú- Florida;
- Alberto Otto- Casa Comercial- A casa mais antiga daquela localidade- Secos e molhados em geral - 2º sub-distrito de Cangussú- Pantanoso;
- Antônio Löper -Moinho e Serraria – Um estabelecimento industrial atendido pelo seu proprietário - 2º sub-distrito de Cangussú – Florida;
- Albino Timm e Lindolfo Hackbart- Depósito de materiais para construções, mantendo grande estoque para pronta entrega- Avenida 20 de setembro s/nº;
- Arno e Albino Buchweitz – Casa Comercial- 1º sub-distrito de Cangussú- Rincão da Glória;
- Alfredo e Joaquim Tessmann- Ferraria e Carpintaria - 1º sub-distrito de Cangussú-  Vila Lelo;
- Alberto Manke – Posto Shell- Gasolina, óleo, lubrificantes,pneus – General Osório 1091- Cangussú;
- Aldo Kuntz- Casa Comercial- Secos e molhados- Secos, molhados, louças, tintas, miudezas, etc. - 1º sub-distrito de Cangussú- Solidez;
- Alberto Neuenfeld- Serraria- 1º sub-distrito de Cangussú- Solidez;
- Adolfo Fürhmann- Sapataria- 1º sub-distrito de Cangussú – Solidez;
-Adolfo Wachholz- Correaria- 1º sub-distrito de Cangussú-  Solidez;
- Alfredo Wachholz- Casa Comercial- 1º sub-distrito de Cangussú- Solidez;
- Viúva Amanda Krüger A. Becker – Alambique- 5º sub- distrito
- Breno Lange – Ferraria- 1º sub-distrito de Cangussú- Cangussú Velho- Executa todo e qualquer serviço do ramo.
-Bruno Storch- Casa Comercial- 2º sub-distrito de Cangussú- Florida- Compra e venda de produtos coloniais. Secos e molhados, ferragens, louças, tintas e miudezas.
- Carlos Hellwig- Moinho e Serraria- 2º sub-distrito de Cangussú- Chácara dos Bugres;
- Ervino Bierhalz- Ferraria - 2º sub-distrito de Cangussú- Florida.
- Ervino Reichow – Casa comercial- 1º sub-distrito de Cangussú- Cangussú Velho-.Secos e molhados, louças, tintas e miudezas .
- Ervaldo Reichow- Tamancaria e Curtume- 1º sub-distrito de Cangussú- Cangussú Velho- Faz-se tamancos com perfeição.
- Ervino Raatz- Carpintaria- Um estabelecimento modelar, que executa todo e qualquer trabalho do ramo. Perfeição, preço e rapidez.
- Ervino Neuenfeld- Matadouro- 3º sub-distrito de Cangussú- Dois Irmãos.
- Emílio Neuenfeld- Moinho- 1º sub-distrito de Cangussú- Solidez
- Ervin Wally- Serraria- 1º sub-distrito de Cangussú- Solidez.
-Emílio Blödorn – Casa Comercial-Secos e molhados, fazendas, tintas e miudezas -  2º sub-distrito de Cangussú- Santa Bárbara.
-Emílio Radtke- Compra de produtos coloniais- -  2º sub-distrito de Cangussú- Herval.
Eduardo Helbig- Fábrica de conservas de frutas- Fundada em 1956- 1º sub-distrito de Cangussú – Espigão;
- Frederico Roschildt- Bar Rodoviário- Bebidas, fritos, frutas, cigarros, doces, etc. Ambiente para o seu fino aperitivo- Cangussú;
- Fernado Krusser Moreira- Casa São Pedro- Fazendas, ferragens, calçados, chapéus,etc. Agente Singer- Rádios- Rua General Osório 908;
- Fernando Ramm- Olaria de tijolos e telhas  2º sub-distrito de Cangussú- Florida.
- Guilherme Schellin – Agricultor e Agrimensor - 2º sub-distrito de Cangussú- Chácara dos Bugres- Herval;
- Guilherme Lindemann- Olaria- Telhas que se impõe pelo fino acabamento- -  2º sub-distrito de Cangussú- Iguatemi.
- Guilherme dos Santos Reiznault- Comércio em geral- 3º Sub-distrito
- Hilmar Völz- Sapataria- Consertos em geral- -  2º sub-distrito de Cangussú- Florida
- Hugo Blödorn – Casa Comercial- 1º sub-distrito de Cangussú- Posto Branco.
- Henrique Hinz- Casa Comercial- Secos e molhados, ferragens, louças, tintas, etc.  -  1º sub-distrito de Cangussú- Remanso.
-Ilmar Schmalfuss- Sapataria- Executa todo e qualquer trabalho do ramo- 2º sub-distrito de Cangussú- Iguatemi;
- Justo Henrique  Guilherme Rommel- Casa Comercial – Secos e molhados- 4º sub-distrito de Cangussú- Sanga Funda;
-João Kohl- Agricultor- Congratula-se pela data de 25 de julho;
- Leopoldo Müller- Casa Comercial- Secos e molhados e miudezas em geral- Alto Alegre.
- Leopoldo Franz- Olaria- Telhas francesas- 2º sub-distrito de Cangussú- Herval.
- Osvino Franz- Selaria e correaria- Serviço rápido e com perfeição - -  2º sub-distrito de Cangussú- Florida.
- Osvaldo Schellig- Oficina Nossa Senhora do Carmo- Conserto de máquinas e gaitas- Rua Conselheiro Brusque  s/nº- Cangussú;
- Rudi Bersch- Fábrica de calçados e consertos em geral- 1º sub-distrito de Cangussú- Posto Branco.
- Roberto Siefert- Casa Comercial- Secos e molhados, fazendas, ferragens, louças, etc. - 2º sub-distrito de Cangussú- Iguatemi.
- Ricardo Schellin- Casa Comercial- Louças, tintas, molhados- 1º sub-distrito de Cangussú- Cangussú Velho;
-Rodolfo Radtke- Casa comercial- Secos e molhados e miudezas em geral- -  2º sub-distrito de Cangussú- Herval. -Ricardo Schellin- Casa comercial- 1º sub-distrito de Cangussú- Canguçu Velho- Louças, tintas, secos e molhados.
- Rudy Müller- Ferraria Flor do Iguatemi- Executa todo e qualquer serviço do ramo- 2º sub-distrito de Cangussú- Iguatemi.
-Udo Bergmann- Casa Comercial- Secos e molhados, louças, tintas, miudezas -  2º sub-distrito de Cangussú- Santa Bárbara.
-Wandelin Schmalfuss- Correames, ferragens, chinelos, botas e tamancos;
- Walter Ghilherme Theil- Carpintaria Theil- Maquinário moderno, serviço com perfeição -  2º sub-distrito de Cangussú- Iguatemi.
-Waldemar Bergmann- Casa Comercial Secos e molhados - 1º sub-distrito de Cangussú- Posto Branco.
- Willy Krüger- Selaria e Correaria- 1º sub-distrito de Cangussú- Posto Branco
- Willi Klumb – Ferraria- Executa todo e qualquer serviço do ramo. -  2º sub-distrito de Cangussú- Florida.
Willy Winkel- Secos, molhados, fazendas, ferragens, louças e miudezas - -  2º sub-distrito de Cangussú- Dois Irmãos.
- Willy Krüger – Revendedor Philips- Rádios, eletrolas, copas, varandas, Sofás-camas e máquinas Elgin e Philips – Rua General Osório Cangussú.
- Willy Bierhals- Proprietário de um curtume na rua Conselheiro Brusque, nesta cidade.
- Willy Palm – Fábrica Planalto- Fábrica de Bolachas, palitos e bolachinhas- Sabão marca Único e Minerva - 2º sub-distrito de Cangussú.
-Waldemar Bersch- Matadouro - 1º sub-distrito de Cangussú.
  
Fonte: Jornal O Imparcial – mês de junho de 1961 - ( Suplemento especial)
Arquivo do Museu Municipal Capitão Henrique José Barbosa

Com certeza muitos outros contribuíram para a grandeza deste município, porém, aqui foram citados, apenas os que encontrei nesta fonte de pesquisa.

MONUMENTO AO IMIGRANTE

             
               Localiza-se na Praça Hilmar Nornberg Pinz.
              Foi idealizado e construído pela comissão organizadora da festa do colono de 1979; esta comissão tinha como presidente o Sr. Osmar Krause e foi criada com o objetivo de organizar festas em 25 de julho em homenagem aos imigrantes alemães que vieram para o Brasil.
            O monumento, inspirado em construção semelhante localizada na cidade de Santa Cruz, foi construído para homenagear os colonos alemães de nosso município. A inauguração se deu em 22 de julho de 1979, juntamente com a festa do "Colono", realizada na cidade e que contou com grande número de pessoas.
           A placa de bronze foi descerrada pelo então prefeito Sr. Gilberto Moreira Mussi e pelo presidente da comissão organizadora dos festejos Sr. Osmar Krause.

Fonte: Álbum de fotos Reg. Nº 04.025  -   Museu Municipal Capitão Henrique José Barbosa
  Anais do Seminário Regional de História: Canguçu em debate
                                                                                     


segunda-feira, 15 de junho de 2015

Muito frio na terrinha!

Hoje o frio é intenso na nossa Canguçu.
            Como diziam os antigos... Está de renguear cusco. Temos agora 9º, mas a sensação térmica é muito mais baixa. Penso na geada que me espera amanhã ao sair para o trabalho,  antes da 7 horas.
Mas vamos ao que a nossa história registra.

              Na manhã do dia 17 de setembro, foi encontrado morto, na estrada geral da Coronilha, a uma légua distante da vila, o preto Adolpho Hippolyto Oliveira, de avançada idade.
              Saindo o infeliz, da residência do cidadão João Pinto, devido a chuva e  temporal que caiu a noite, não pode vencer  a distância e chegar a casa mais próxima da estrada e, ficando assim exposto ao rigoroso frio, veio a sucumbir congelado. Para o local segui a autoridade competente, que depois de mandar proceder o auto do corpo de delito e mais formalidades do estilo, mandou sepultar do infeliz "Pai Adolpho", como lhe chamavam as crianças daqui, de quem ele foi um verdadeiro espantalho.
                Tinha 100 anos presumíveis. O óbito foi verificado pelo médico, cidadão Lino Moraes.

Fonte: Diário Popular de 05.10.1905

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Uma antiga casa comercial de Canguçu- Casa Brasil

Mais um dia de chuva na terrinha...
        Sempre que chove lembro de escrever...Sendo assim, aqui estamos escrevendo, relembrando, registrando...
           A algum tempo, publiquei no Facebook sobre o fechamento de uma das casas comerciais mais antigas da cidade, a Casa Brasil. Hoje trouxe o texto para o conhecimento dos amigos.  
         Assim eu escrevi a um tempo atrás.

     " Sabe  quando algo está prestes a acontecer  e tu antecipadamente  já sabe que sentirá falta, pois bem, hoje fiquei sabendo que a Casa Brasil  irá fechar suas portas; nada mais natural pois a todo momento novas lojas abrem suas portas, enquanto outras as fecham. Seria muito natural e apenas mais uma casa comercial a sair de cena, não fosse a história que carrega, pois esta loja a mais de meio século oferece seus produtos a comunidade canguçuense; é do  tempo em que as pessoas iam nas lojas comprar alguns metros de” fazenda” para que as “modistas” confeccionassem os vestidos iguais aos dos figurinos,  revistas que  encantavam  o público feminino e que hoje nem se vê mais, para falar a verdade nem sei se ainda existem".

            Relembrando...

 Me vejo pequena ainda,  a caminhar de mãos dadas com minha como mãe pelas ruas de um Canguçu tranquilo, onde quase não há carros e o comércio não era  tão intenso como o de hoje;  lembro de  algumas lojas apenas: a Casa Santo Antônio do Sr.  Julinho Valente, a do Sr. Candinho, Esquina Modas, a Casa Paulista do Sr. Lourenço, a Casa Norma de Dario Jacondino, tinha ainda as lojas dos “Turcos”:  Esperança de Ernani Abdala, Casas Cairo e Boa Sorte, o nome de seus donos eu não lembro mas de suas fisionomias eu não esqueço; tinha ainda os bazares, Estrela do Pompeu e Sinuelo, do Jaime. Eram essas as lojas da rua da frente ...  Ah! Ia esquecendo, subindo a Vinte de Setembro  tinha  a Casa Brito do Sr. Gonçalino Brito, lembro dele também... 
Pois bem, a qualquer  momento minha mãe  me dirá que precisa chegar no seu Manuel para comprar alguma coisa... A loja do seu Manoel , era justamente a Casa Brasil, de propriedade do Sr. Manuel Filgueiras e da dona Candinha Telesca... Quanto tempo se passou entre a fundação desta casa comercial e o dia de hoje quando ela está prestes a fechar... Quantas histórias de alegrias e de  tristezas, de renovações, de conquistas e  com certeza de INCERTEZAS esta loja presenciou...
        Mas deixa  eu voltar ao passeio com minha mãe... Eu adorava sair com ela, tanto quanto estou adorando este momento de lembrar dela... Pois bem, dito e feito... chegamos  na Casa Brasil, esta era parada obrigatória, sempre havia o que comprar: linha, botões, agulha de crochê, alguns metros de fazenda, ou mesmo olhar algum sapato, casaco, qualquer coisa pois tinha de tudo que se  possa imaginar.  Entramos por uma da portas... sim por uma das portas, pois se não me engano haviam duas ou três portas de entrada na loja.
A casa era grande, com a fachada de granitina, não sei o que é isso, mas lembro que era assim que chamavam aquelas casas escuras que tinham um brilho que lembravam pequenos vidrinhos cintilantes. Lá dentro haviam grandes balcões de tábua, na cor natural,  algumas partes tinham vidros, por onde enxergava-se as mercadoria do tipo rendas, fitas, elásticos, botões, etc... nas paredes haviam muitas prateleiras, também com muitas mercadoria e haviam ainda caixas grandes com cobertores, acolchoados e tantas coisas mais, a loja era realmente muito cheia de mercadorias... Havia na parede do fundo uma porta que imagino que ia para a casa ou para o hotel. Lembro  do Sr. Manuel Filgueiras, era , moreno, usava bigodes , acho que também atendia na loja;  nesta época não lembro  da dona Candinha, talvez ela se envolvesse mais com o hotel Brasil, que também era da família.
Quando o seu Manuel  morreu, a loja sofreu grande transformação. O Ubiratã, filho do casal, modernizou-a,  construiu uma nova loja, ampla, clara, moderna para os padrões de Canguçu... Lembro dele tão feliz com a loja nova, fazendo o cadastro dos clientes, pois até então era costume nas lojas locais anotar as compras em cadernos. Pouco depois,  sem que se pudesse imaginar, o  Ubiratã também se se foi... Ficou apenas dona Candinha. Gosto muito dela, é uma  mulher admirável, a mim parece que ela  continuou com a loja para poder viver o sonho do filho e levar a diante o seu projeto.
            Mas é isso... Quando o hotel e a  loja fecharem as portas, quando pintarem sua fachada e apagarem de vez o nome “ Casa Brasil ”, com certeza  poderemos dizer que lá se vai mais um tanto de  nossa história...
            Lamentável esquecimento...

           Ao mencionar os comércios de que tenho lembrança, esqueci a tradicional Casa São Pedro, pertencente ao Sr. Fernando Moreira. Esta era uma loja mais ampla, arejada; os balcões ficavam do lado direito da porta e ao fundo, uma escrivaninha onde ficava o caixa... Tinha uma cadeira em frente a mesa... Uma comodidade, pois podíamos fazer o pagamento sentados. Passava-se uma porta e havia outra peça, esta quase vazia e se não me engano com um cofre nela... Ah! e uma porta de duas folhas de onde vinha dona Nilza, baixa, cabelos castanhos, olhos vivos e muito falante... Seu Fernando, alto magro, gentil, sempre sorria para as pessoas que entravam na loja.
         Vou aproveitar  a oportunidade para registrar o lugar onde eu mais gostava de ir, na livraria Mundial da dona Tereza e do Sr. Sinotti... Lá era o paraíso... Tinha gibis, revistas com bonequinhos de recortar e colocar roupinhas e muitas outras coisas que faziam  a alegria das crianças; eu adorava ir lá. Depois que fiquei adolescente, ia lá comprar fotonovelas e romances de bolso, enquanto minha amiga Bete comprava "Medicina e Saúde"... Eu achava aquelas revistas um saco, mas enfim, hoje a Bete é médica e eu professora de Historia, o que prova que desde aquela época já sabíamos o que realmente gostávamos. 
         A livraria Mundial funcionava onde hoje é a Sulpar, do lado esquerdo a livraria da dona Tereza e do lado direito a loja de materiais elétricos e hidráulicos do Sr. Fernando Sinotti. Lá o meu querido tiozinho Beto comprou uma boneca bonita, vestida de vermelho, e me deu de Natal.
         Os dias se passaram, hoje é 05 de junho; não sei quando escrevi este relato, mas de lá para cá, a roda da vida já girou e a Casa Brasil realmente fechou suas portas. Dona Candinha também fechou seus olhos para a vida terrena e hoje já se encontra no mundo espiritual. Espero sinceramente que Deus, na sua bondade infinita, tenha permitido que ela fosse recepcionada pelo seu filho Ubiratã.




Foto: Arquivo  fotográfico do Museu Municipal Capitão Henrique José Barbosa


Fotografia tirada em 1945 em frente ao prédio da  antiga Casa Brasil, na época Hotel  Brasil.

Registra a festa oferecida às crianças pela Sra. Joaquina Telesca, proprietária do Hotel Brasil, em  comemoração ao final da 2ª Guerra Mundial.