Um céu dourado te assiste e o Senhor te abençoa " Canguçu, magnífica dos cerros"

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Em tempos de seca - "Água pura e cristalina"

Particularmente acho muito gostoso escrever sobre a minha cidade, também nunca tentei escrever sobre mais nada que não fosse aquilo que me toca o coração.
Sou uma pessoa saudosista, gosto de poesia, de fotografia, de lembranças e, onde eu acharia toda essa combinação? Com certeza em um Museu. Sim, eu encontrei muito do que buscava, nos quase 12 anos que trabalhei no Museu Capitão Henrique José Barbosa; descobri muita beleza, e novidades históricas, antes desconhecidas para mim e tenho certeza, para a maioria dos canguçuenses. Todas estas fotos lindas de um Canguçu do passado que circulam nos computadores, ai estão porque eu não consegui deixá-las escondidas como sempre estiveram, em uma caixa, atrás de um armário. Eu as descobri e me apaixonei por todas elas, e com apoio do Secretário de Cultura da época, Andrio Aguiar Duarte, que acreditou no meu trabalho e investiu na informatização do nosso Museu, organizei-as em álbuns, scaniei-as, dando vida a estas imagens maravilhosas que hoje enchem os olhos dos que, como eu, enchergam a beleza desta cidade ( sinto apenas por não ter conseguido terminar o trabalho de informatização do Museu... fazer o que?) . Alegro meus olhos quando vejo estas fotografias, porém, morro de ciúme quando aparecem simplesmente jogadas em computadores, para todos olharem, sem fazer referência a sua história. Por isso sempre que escolho com carinho uma fotografia para que vocês possam apreciar procuro escrever algo sobre ela, para que mais pessoas possam também reservar no coração um cantinho para esta cidade tão nossa.

CACIMBA DA PRATA





Foto: Arquivo fotográfico do Museu Municipal Capitão Henrique José Barbosa




A cacimba da Prata, hoje esquecida, durante muitos anos abasteceu a cidade e serviu de fonte de emprego a muitos aguateiros. Hoje se encontra soterrada, em terreno pertencente ao Sr. Pedro Boemeke, no local onde o mesmo possui um depósito de materiais de construção, no passado conhecido com Madeireira da Prata.
Construída em 1902 pelo intendente Coronel Hipólito Gonçalves da Silva, a cacimba da Prata ainda é muito confundida com a cacimba do Ouro. Além de sua importância como reservatório de água, a Cacimba da Prata, cujo nome ninguém sabe a origem, encerra em si uma lenda curiosa: "Visitante que bebesse de sua água sempre voltaria a Canguçu".
Possuía aquedutos em estilo romano, por onde era conduzida a água de um cerro próximo. A água que vinha de sua nascente era acumulada durante a noite em seu reservatório, de onde era distribuída para toda a cidade.
Em 1941, quando uma terrível seca assolou a cidade e todas as demais vertentes secaram, a Cacimba da Prata abasteceu, com sua água límpida e fresca, todas as casas de Canguçu. Suas torneiras mal conseguiam alimentar as intensas filas que se formavam para o recolhimento de água.
Francisco Freitas, antigo morador, lembra que pessoas ganhavam a vida carregando água em latas ou pipas. Eram poucas as famílias que tinham poço em seu quintal. Desta forma alguns carregadores tinham seus fregueses certos, onde, dependendo da periodicidade, era cobrada uma taxa por dia ou por mês.
Outro antigo morador, Mozart Madeira de Oliveira, lembra inclusive de algumas pessoas que durante muito tempo carregaram água: seu João, que embora praticamente cego, fazia o carregamento numa pipa puxada por um burro, Liundina Fonseca ( Lindinha), carregou água té os 72 anos, puxando uma pipa de vinte litros, com a qual abastecia mais de 20 famílias. Dona Lindinha, conforme o senhor Mozart, desde a madrugada já se encontrava na cacimba juntando água e interrompia seu serviço quando chegava à noite. Como o terreno onde se localizava o reservatório ficava em lugar elevado e ela tivesse idade bastante avançada, os "moleques " que também carregavam água a auxiliava a conduzir sua pipa até a cacimba.
Em 1952, na administração do Sr. Conrado Ernani Bento, a cacimba foi restaurada pelo Sr. Carlos Quettz. Nesta ocasião ela perdeu sua forma antiga, deixando de apresentar sua parte superior.
A partir de 1966, a cacimba da Prata começou a ser menos procurada. Este ano marcou a implantação da CORSAN em Canguçu e os primeiros encanamentos de água potável começaram já a servir algumas residências.

FONTE: Notícia do jornal "O Canguçuense" - Arquivo : 1 - Pasta: História
Museu Hist. Mun. Capitão Henrique José Barbosa



Segundo Céres da Rosa Goulart, em seu livro, "Pálidos traços da História de Cangussu":



"Desde os primórdios de Cangussu, desde a vila até acanhada e pequena cidade, o suprimento de água nas casas de família e nos hotéis, que na época não eram mais de dois, esteve a cargo das aguateiras."



"Um grupo de mulheres, sem recursos e sem herança a esperar, adotou a profissão de carregar água. Elas abriam um saco branco, daqueles de açúcar ou uma roupa velha, fora de uso e enrolavam mais ou menos como uma cobra grossa, que colocavam sobre a cabeça, onde equilibravam uma lata daquelas que vinam com querosene, cheias de água. Isto servia para amenizar o impacto da lata, do peso que carregavam. Caminhavam a passos lentos,olhando para frente, a lata sobre a cabeça um tanto inclinada e que nunca virava, tal a prática que adquiriam. Impossível calcular quantas vezes faziam o trajeto das cacimbas às casas e vice-versa, durante o dia. Primeiro ia a água para os hotéis e depois para as casas de família. E assim, de lata em lata elas enchiam barris, talhas de barro ou quaisquer outro recipientes que lhes era oferecido pelas donas de casa, o suficiente para o gasto de um dia inteiro. O trabalho delas começava com o clarear do dia e só terminava quando o sol ia se escondendo. Um trabalho duro, pesado, tão humilde quanto indispensável, com o que elas garantiam o suado e chorado pão de cada dia".

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Lembrança em dia de chuva

Em dias chuvosos como hoje, gosto de ler, de abrir o baú das lembranças, dar asas a imaginação, gosto de relembrar , de voltar no tempo e rever imagens, histórias e pessoas. Hoje lendo o que escreveu uma querida amiga, Céres da Rosa Goularte em seu livro "Pálidos traços da História de Cangussu", sobre a sociedade canguçuense nas primeiras décadas do século XX:
"Os cangussuenses sempre souberam viver em sociedade, à moda vigente trajar-se e cultivavam a cultura."
"No tempo em que a moda era ditada para o mundo por Paris, os figurinos e a competência das profissionais garantiam o bem vestir da sociedade. Quando da visita de pessoas ilustres, como aquelas que se destacavam na política, ou mesmo simples visitantes de posição, ninguém fazia feio nas festas ou solenidades..."
Continuando: "Os alfaiates confeccionavam as roupas masculinas. As camisas eram brancas, de punhos e colarinhos muito bem engomados, trabalho cuidado pelas lavadeiras e passadeiras, com o devido esmero..."
E ainda: "As roupas femininas eram feitas em sua totalidade, pelas costureiras. Eram exímias em sua profissão e trabalhavam muito...
... "As costureiras observavam com aptidão e bom gosto os modelos, medidas exatas, acabamento esmerado. Incluiam as roupas de passeio e as destinadas as festas, mais simples ou mais sofisticadas. Desde os primórdios foi assim."
... "Os homens e as mulheres brilhavam nas festas. As aguateiras garantiam o banho das famílias e as costureiras encarregavam-se do aspecto exterior. Era uma vida difícil, não resta a menor dúvida mas o povo vivia bem e amava o seu chão natal. Se o começo da vida em Cangussu foi difícil, foi também, nobre, valoroso, forte e bonito."

Retirado do livro - Pálidos traços da História de Cangussu ( págs 17 -20 ) de autoria de Céres da Rosa Goularte



Depois de ler estas páginas, fechei os olhos e com saudades lembrei de Dona Quinotinha Mattos ( se não me engano seu nome era Joaquina), mãe do professor Joé Mattos. Era costureira e uma figura realmente inesquecível, pois seus traços, sua personalidade e sua estatura eram marcantes... Era pequena, muito miúda, parecia pouco maior que eu no tempo que estou lembrando ( na época eu deveria ter 7 anos ) sempre bem arrumada, saias justas e sapatos de salto. Lembro de vê-la com uma saia xadrezinho de preto, cinza e branco e camisa branca de jabot, mas o que mais me chamava a atenção eram seus sapatos, muito pequenos, pareciam de criança, acho que ela calçava o número 33.
Sua casa ainda existe, e se localiza quase em frente a minha casa; Era uma casa escura com granitina ( não sei dizer o que era, mas era assim que chamavam aquelas casas com reboco escuro e com um certo brilho). A fachada tinha duas janelas e uma porta central, na peça da esquerda era o seu ateliê de costura, lembro de uma mesa quadrada, daquelas pesadas e com duas hastes de cada lado e quando abertas sustentavam duas outras partes ( chamavam de folhas) ficando a mesa, assim, com o dobro do tamanho, os banquinhos pintados de branco, duas máquinas de costura daquelas pretas, antigas, de pedal, onde ela confeccionava os modelos escolhidos pelas freguesas; os figurinos ficavam empilhados em cima de uma mesinha no seu quarto que era separado da sala de costura por um guarda-roupas com flores entalhadas na porta. Lembro ainda de um cesto próximo da mesa onde ela guardava os retalhos que sobravam. Eu gostava de sentar embaixo da mesa, fazendo roupinhas para as minhas bonecas com os paninhos que ela me dava.
Dona Quinotinha costurava muito e minha avó Jacy às vezes ajudava fazendo bainhas e alinhavos; lembro de trabalharem com ela a Maria Marques e a Marfa , que depois casou com o Sr. Hélio Mattos ( ele era irmão da Dona Maria, Mozinha e Geraldo Mattos que, se eu não me engano, eram filhos do primeiro casamento do marido da dona Quinotinha. Eu não conheci o pai do professor Joé).
Na janela da direita era o quarto das penssionistas, meninas que vinham do interior para estudar na cidade, entre elas lembro da Céres e da Inês.
Dona Quinotinha andava sempre com um molho de chaves em uma argolinha, pendurada no cinto; era uma figura diferente seu rosto tinha fortes marcas de expressão, seu cabelo curto era escuro e seu rosto era emoldurado por óculos de armação preta.
Lembro da casa, da costureira, da tesoura de cortar costuras ( daquelas grandes pretas e pesadas), lembro também de algumas freguesas, entre elas eu admirava a Dona Yonne Bento, sempre elegante, bem vestida, com aqueles sapatos de saltos muito altos ( como até hoje).
Minha mãe sempre dizia: “- Dona Quinotinha é ótima costureira, porém, nunca faz o modelo que a gente escolhe, sempre diz – “Mudei porque este te senta melhor”.


Saudades Dona Quinotinha! Desejo que esteja bem onde estiver.



Moças da sociedade canguçuense, com certeza usando modelos confeccionados pelas mãos habilidosas de nossas costureiras do passado.



Foto: Arquivo fotográfico do Museu Municipal Capitão Hnrique José Barbosa



Só mais uma lembrança: Minha amiga, Marlene Coelho, dizia: "_ Depois que as mulheres passaram a usar tênis e calças Jeans, perderam a elegância". Acho que ela tinha razão!

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

E lá se vão 115 anos

Club Harmonia



Na noite do dia 16 do corrente ( janeiro de 1897), ás 8 horas da noite, na sala das sessões do club Harmonia, presentes todos os sócios e um grande número de pessoas gradas de nossa primeira sociedade, teve lugar a instalação do club, executando a banda de música Santa Roza, escolhidas peças de seu repertório. Foi uma grande festa, bastante agradável. Fez uma bonita locução o presidente da sociedade, o Tenente Franklin Máximo Moreira. O Sr. João Miguesl de Moraes leu uma locução ofertando ao presidente da sociedade, em nome do Dr. Manoel Ferreira Escobar, um bonito ramalhete de flores.


As galantes meninas, Ana e Maria Luiza, filhas do nosso amigo Henrique Maria Lopes, também offertaram dois magníficos ramalhetes de flores ao presidente da sociedade.
O Sr. Franklin com enthusiasmos agradeceu. Usou da palavra fazendo longas considerações a cerca de sociedades congeneres a que se acabava de instalar, o cidadão Bernardino Alves Bastos. O Dr. Escobar Júnior, não podendo assistir a festa da instalação, dirigiu um ofício ao presidente e mais membros da diretoria, saudando a sociedade e offerecendo seu valioso concurso, propondo leccionar matérias do curso secundário aos que se matricularem nas aulas do club.



O Sr. Tenente- Coronel Leão Terres offertou um bilhar á sociedade. Foi conferido o diploma de sócio honorário á banda de música Santa Roza.



Foi nomeado o procurador da sociedade o Sr. Antônio André Pinto.O Sr. Franklin M. Moreira offereceu a jóia de 50R000. O Sr. Angenor Cunha, pos a disposição do Club 20R000. Instalou-se a sociedade com 55 sócios fundadores, porém em pouco tempo atingirá 150 sócios effectivos.



A casa onde funciona a sociedade, é o sobrado do Sr. João Leite, uma das maiores e melhores propriedades desta villa.



Transcrito do Jornal "O Ìris" de 24 de janeiro de 1897 nº 4 Anno II
Arquivo do Museu Municipal "Capitão Henrique José Barbosa"


( OBS: A grafia segue conforme documento original )



Inauguração da nova sede do Clube Harmonia em 25 de setembro de 1936
Arquivo de Fotográfico do Museu Municipal Capitão Henrique José Barbosa



O Clube Harmonia ficou famoso na região por seus bailes de gala, elegantes e refinados, frequentados pela " alta" sociedade canguçuense ( pelo menos era assim a expressão da época) e pelos fantásticos carnavais de salão do passado, onde os blocos de carnaval enchiam de colorido e alegria o salão do Harmonia.

Fui frequentadora assídua do Clube Harmonia na minha juventude. Para lá iamos em noites de festas ou simplesmente conversar, encontrar com as amigas, enquanto os meninos jogavam bilhar.

Era realmente muito bom frequentar os salões dos Clubes Harmonia e Cruzeiro...

Pena que os tempos mudam e hoje estes já não chamam a atenção dos jovens como no passado.




Jovens aproveitando as festas oferecidas pelo Clube Harmonia.



Antônio Farias Reyes, Armando Morales, Plinio Soares, Carlos Domingos Jacondino e outros dois amigos que não reconheci.

Álbum de família






Casais em baile oferecido pelo Clube Harmonia no início da década de 60
Meus pais: Antônio e Neifa Goulart Reyes e os tios Nilton e Cléia Porto Almeida




FOTOS : Álbum de família

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Novamente o Natal !


Esta é uma época do ano muito especial, época de dar e receber amor e compreensão; época também de reviver bons momentos, relembrar pessoas queridas, relembrar antigos Natais, sentir saudades do Papai Noel, sentir-se fascinado com as luzes e os enfeites, as bolinhas de Natal coloridas que refletem o nosso rosto, fazendo com que nos sintamos parte daquela árvore tão mágica.
Fecho os olhos e num minuto me vejo criança... como o Natal era diferente! Não sei se realmente era diferente ou se era a minha condição de criança que fazia com que eu sentisse a magia do Natal diferente... Rogo a Deus que as crianças de hoje tenham a mesma emoção e possam guardar recordações tão caras como as que eu guardo com carinho no coração.
Relembrando meus antigos Natais, me vejo menina... roupa nova, pois o dia já tinha todo um ritual: banho as 6 horas da tarde, roupa nova, cabelos bem penteados e íamos, eu e minha irmã, sentar na porta da casa de nossos avós ( Tacico e Jacy) para esperar o Papai Noel, que vinha normalmente na Kombi amarela da Xiru ( fábrica de fumos dos seu Macóta) ou na Kombi vermelha com branco do Bazar Estrela (do Pompeu Barbosa), pois nossos presentes normalmente eram comprados no Bazar Estrela para serem entregues pelo Papai Noel.
Nossa!! nosso coração disparava quando a Kombi fazia a curva e descia para o "Uruguai", como chamavam a cidade depois da curva do Sindicato Rural. Muitas vezes o Papai Noel passava abanando e ia entregar presentes a outras crianças, nós ficávamos ansiosas esperando pela nossa vez.

Lembro de todos os presentes que ganhei das mãos do Papai Noel, entre lágrimas de alegria e de muito medo, pois nós tinhamos um medo enorme daquela figura mágica vestida de vermelho, que normalmente era o Dinael, filho do Sr. Edil e que eu via diariamente, pois além de vizinho, era muito amigo de meu amado tio Beto e ia constantemente na casa de minha avó Jacy... Não importa, naquele dia ele era o Papai Noel, a figura que eu ansiava por ver o ano inteiro, mas que fazia meu coração quase sair pela boca quando o via. Recebi do Papai Noel um bonecão plástico que coloquei o nome de Leonardo, em outra vez, ganhei um bastidor verde com linhas e toalhinhas riscadas com desenhos da turma da Mônica para bordar ( este foi o que mais gostei), uma Corrida Mágica de 2 voltas, uma bola de praia...A magia daquele momento é gravada na minha mente e no meu coração e me faz sentir uma saudade estranha, uma nostalgia, uma sensação de perda indescritível, pois aquela emoção eu não vejo nos olhos das crianças de hoje, talvez seja porque já nascem adultos, tem a inocência, porém não aquela inocência ignorante de tudo que nós tínhamos, pois por mais que queiram ver o Papai Noel, eles sabem que é um personagem de Natal, enquanto que nós acreditávamos que aquela figura era um ser quase divino, que passava o ano inteiro escondido em algum lugar, fabricando presentes para as crianças e nós nos contentávamos com qualquer presente que ele nos dava... nunca... nunca mesmo passava pela nossa cabeça que a mãe e o pai estavam por trás de toda aquela magia.
Eu achava muito estranho que as minhas amigas, Gianni e Mariângela Bettin recebiam seus presentes no outro dia, pois o Papai Noel "deixava" embaixo da árvore... Minha mãe chegou a me perguntar se eu não queria que meu presente estivesse na árvore quando acordasse, mas eu nunca quis, pois nada se comparava a emoção de ganhar um abraço do "Bom Velhinho".
Acho que o que levou este sentimento a desaparecer entre as crianças, é a profusão de Papais Noéis mal vestidos, com máscaras feias que se veem nas portas das lojas, o que fez com que as crianças acostumassem com a figura e não se emocionem mais ao enxerga-lo.



Meus filhos vivendo sua emoção de Natal, ao lado do "Bom Velhinho". Permita Deus que eles também tenham boas lembranças desta época que deveria ser somente de felicidade para todos os homens!


"Que o espírito do Natal se renove e penetre em todos os lares, em todos os corações, fazendo com que cada momento seja mágico ... despertando sentimentos adormecidos, renovando a criança feliz e inocente que vive dentro de cada um de nós e que Deus, na sua infinita bondade, conhecedor que é de todos os nossos problemas e aflições possa vir até nós e elevar nossos espíritos para que possamos viver esta data tão especial, com o coração tranquilo, repartindo com os nossos familiares, amigos, colegas e vizinhos toda esta magia que é o Natal"!

"Que o nosso município receba, neste final de ano, um grande abraço de luz e que esta luz se espalhe por todos os lares, proporcionando a todos um Natal iluminado com a paz do Criador."

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

MOVIMENTO ABOLICIONISTA

A partir da guerra do Paraguai, novas idéias entram a agitar a sociedade brasileira, com inevitáveis reflexos em todas as províncias.
A escravatura havia se tornado uma instituição odiosa, verdadeira mancha na civilização brasileira, principalmente considerando que era o Brasil o único país do Ocidente que ainda a conservava.
Durante o prolongado conflito do Paraguai, homens de cor haviam lutado ombro a ombro com os brancos e revelado ótimas qualidades militares, espírito de sacrifício, bravura e alto sentimento de compreensão na defesa da Pátria comum. Contra essa iniquidade que nos envergonhava levamtou-se uma campanha sem trégua.

Fonte: Arthur Ferreira Filho



A ABOLIÇÃO DA ESCRAVATURA EM CANGUÇU




Ao final da Guerra do Paraguai, a Loja Maçônica Fé, integrada em campanha, só por militares, solicitou com veemência, ao Visconde do Rio Branco, maçom de grande influência nos destinos do Império, providência para a extinção da Escravidão.

O espírito libertador foi trazido para Canguçu pelos canguçuenses que combateram no Paraguai, ao comando do Ten. Cel. Honorário do Exército Theóphilo de Souza Matos, comandante do Corpo de Cavalaria da Guarda Nacional de Canguçu.
No retorno da guerra, foram homenageados pela Maçonaria e comunidade, tendo sido libertadas, na cerimônia, duas meninas escravas, no local que passou a ser conhecido como Cerro da Liberdade. Foi orador desta cerimonia coordenada pelo abolicionista e maçom, Enéas Gonzaga Moreira, o professor Antônio Joaquim Bento.
As crônicas sociais nos jornais de Pelotas, vez por outra registravam em Canguçu casamentos em famílias importantes que em comemoração as bodas, os pais dos noivos libertavam alguns escravos. Em 23 de abril de 1883, casaram na igreja matriz Felisberto Piegas e Túlia Luz. Em festejos na casa do noivo, o professor Antônio Joaquim Bento falou sobre o significado do casamento e declarou que estava autorizado, pela mãe do noivo a declarar livre seu escravo Luiz e pelo pai da noiva as suas escravas Feliciana e Carlota e mais o escravo Felipe, por cotização entre os convidados do casamento.
Em 28 de setembro de 1884, na Câmara Municipal de Canguçu, foi organizado o Clube Emancipador de Escravos de Canguçu, presidido pôr Bernardino Pinto Ribeiro, tendo por tesoureiro Enéas Gonzaga Moreira, como secretário Antônio Manoel da Costa, como gerentes Amélia Moreira e Theóphilo Barbosa Matos e como oradora, Túlia Luz. Na praça principal foram lidas 14 cartas de alforrias, sem ônus, conforme assinalou o Correio Mercantil de Pelotas de 16 de outubro de 1884.
Em 2 de maio de 1884, João Paulo Prestes e Henrique do Estreito alforriaram os seus escravos.
Em 2 de abril de 1888, Canguçu que era o 2º município em número de escravos, os declarou todos livres, 40 dias antes da Lei Áurea.



Fonte: Informativo "O Guarapes" Autoria: Cláudio Moreira Bento


A 13 de maio de 1888, realizou este clube, jubilosa comemoração da Lei Áurea no Cerro da Liberdade, que já possuía este nome desde 1870, após foi extinto já que não mais havia razão para sua existência.


O Almanaque da Província do ano de 1887 publicou o número de escravos da Província do Rio grande do Sul por município: Rio Grande 844, Canguçu 839, Encruzilhada 645, Cachoeira 464, São José do Norte 408, Piratini 391, Pelotas 341, Caçapava 323, Gravataí 279, Herval 258, Santa Vitória 255, Santo Antônio da Patrulha 252, Rio Pardo 232, São Jerônimo 225, São Francisco de Paula 225, Osório 220, Santo Amato 109, São Martinho 157, São Sepé 153, Jaguarão 142, Soledade 140, Cruz Alta 131, Dom Pedrito 117, Pinheiro Machado 112, Lagoa Vermelha 93, Bagé 82, Arroio Grande 73 e Porto Alegre 58.


FONTES: -Revista do Centenário de Pelotas e Arquivo Nº 2- Museu Histórico Municipal Capitão Henrique José Barbosa



Dia 20 de novembro, dia Nacional da Consciência Negra, dia de um verdadeiro abraço de irmãos... abraço daqueles que não olham a cor da pele e sim, o que está no coração.


Valeu Zumbi !





domingo, 30 de outubro de 2011

Ciranda Estudantil Nativista- CIENA






CIENA- 2011

A Ciranda Estudantil Nativista- CIENA, este ano completa seus 25 anos, sendo reconhecido como um dos festivais estudantis mais importantes de nosso Estado. A CIENA tem como objetivo, despertar na comunidade estudantil o reaquecimento dos valores que constituem a cultura gaúcha, através da preservação, valorização e divulgação da arte, da tradição e da cultura do Rio Grande do Sul.

A Ciranda Estudantil Nativista em sua 25ª edição que se realiza nos dias 03,04 e 05 de novembro de 2011, conta com 50 escolas participantes, entre as redes Municipal, Estadual e Particular; 1227 alunos participando de um total de 786 apresentações artísticas e culturais.

Este ano será realizada em 3 dias, tendo início na quinta-feira, dia 03 de novembro, no Cine Teatro 27 de Junho – Antônio Joaquim Bento, com apresentações de canto individual masculino e feminino, nas categorias de Pré escola, 1º a 3º ano e 4º a 6º ano. A partir das 20 horas teremos no Ginásio Municipal de Esportes a abertura deste evento tão importante para a comunidade estudantil do município, com apresentações de invernadas artísticas, dos CTGs Sinuelo, Raul Silveira e Tropeiros da Amizade, homenagens especiais e show com o grupo musical Cantapago.

As modalidades apresentadas na CIENA são:
declamação (masculino e feminino);
canto coletivo;
canto individual (masculino e feminino);
danças tradicionais (bailados riograndenses) e concurso de entradas;
gaita (tecla ou de botão);
violão;
trabalhos manuais;
desenho a mão livre;
causos;
dança de salão.

As apresentações são dividas em 6 categorias:
a) Pré-escola;
b) 1º ao 3º ano;
c) 4º, 5º e 6º anos ou 3ª, 4ª e 5ª séries;
d) 7º, 8º e 9º anos ou 6ª, 7ª e 8ª séries;
e) EJA (Ensino Fundamental);
f) Ensino Médio (EJA e Regular).

Contamos este ano com apresentações especiais de Chula.

Foi aberta a modalidade de apresentação especial em trova, porém não tivemos alunos inscritos.