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sexta-feira, 25 de maio de 2018

Exposição Lembranças - Mostra fotográfica Canguçu: seu passado e seu presente

O importante na vida é aquilo que fazemos com amor, por pouco que seja, se nos gratifica não é um fardo nem obrigação, antes pelo contrário é leve e gostoso de realizar.

Imagens da Exposição Lembranças e Mostra fotográfica Canguçu: seu passado e seu presente, realizada pela Academia Canguçuense de História - ACANDHIS- dentro da 16ª Semana Nacional dos Museus.

SEMANA NACIONAL DOS MUSEUS
MUSEUS HIPERCONECTADOS
Novas abordagens, novos públicos


A ACANDHIS  pela segunda vez participa da Semana dos Museus de Canguçu, trazendo uma singela contribuição, porém, um resgate histórico de nossa comunidade de grande importância, visto que ressuscita atividades, lugares e pessoas talvez a muito sepultadas na nossa memória.
Museus hiperconectados, este é o  tema desta Semana Nacional dos Museus e da exposição da ACANDHIS deste ano.
Enquanto pensávamos em como poderíamos contribuir, sem sair da ideia proposta, resgatamos fotografias mostrando um Canguçu que ainda vive na  lembrança de muitos ao lado de fotografias que apresentam o mesmo local na atualidade; trabalho postado pelo acadêmico Géder  Barbosa no facebook em várias oportunidades, com o objetivo de enaltecer esta terra.
Aproveitando a brincadeira que “rolou” na internet – Facebook “Se diz cria de Canguçu mas...” e ai eram postadas as lembranças de cada um, achamos providencial a brincadeira e registramos algumas lembranças para que nossos amigos das redes sociais também registrassem suas lembranças.
Contamos  com o apoio do amigo Eduardo Lobo Costa que gentilmente enviou as lembranças postadas a mais tempo e que não conseguimos capturar. Assim sendo espero que a exposição agrade a todos e que mas que agradar, desperte recordações que gostaríamos que, ao visitarem a exposição, deixassem registradas para que assim possamos nos apropriar mais da História da nossa querida Canguçu.
Resta-nos dizer que são  muitas e muitas lembranças felizes, de um Canguçu que “NÃO FOI”, de um Canguçu que “É” a grande paixão dos filhos desta terra, pois se assim não fosse não guardaríamos com carinho tantas doces lembranças.





quarta-feira, 16 de maio de 2018

De Pelotas a Cangussú em autos Ford

Adoro ler jornais antigos e descobrir estas preciosidades.
Muitas vezes sinto como se tivesse presenciado tudo isso.
Tudo tão singelo e tão significativo.
Reparem na importância dada a educação, visitas importantes obrigatoriamente visitavam a escola, eram acolhidas  com respeito pelos alunos e professores... Tudo tão diferente. Nossos aluno hoje não se empolgam com visitas  as escolas, principalmente se forem políticos e sinceramente não podemos culpa-los, antes, pelo contrario, temos que acompanha-los na indignação.
Tanta coisa mudou neste país, principalmente no que se refere aos valores morais e éticos.
Que pena!

Mas deixemos estas considerações para lá e vamos apreciar esta notícia do ano de 1913.


De Pelotas a Cangussú em autos “Ford”
Empresa Jorge Ribeiro & C.

                Sob os melhores auspícios inaugurou-se a linha de automóveis, da empresa Jorge Ribeiro  &C. entre Pelotas e Cangussú.
                Nesta viagem inicial, a convite, tomaram parte o nosso amigo Sr. Carlos Souza, d’ Opinião Pública, F Paradeda, desta folha e, além do apreciado cavalheiro Sr. Manoel Ribeiro, representante da empresa, os estimáveis senhores Antônio Amaral, Donato Freda, Maurício Correa de Paiva e Marcelino Ribeiro Filho.
                A partida dessa cidade deu-se as 7h 20min da manhã, sob um chuvisqueiro impertinente a previsão, devido as últimas chuvas, de que as estradas encontrar-se-iam más.
                Não quis porém, a boa estrela da empresa, ou dos viajantes, que tão má impressão e pior expectativa se mantivessem, pois os trechos de estradas sucediam-se em condições regulares e o sol, em pouco, tocava os cerros alterosos, vestindo a natureza de galas e aos excursionistas provocando alegrias.
                Os autos, dois novos e excelentes double phaeton de 20 cavalos, da reputada marca Ford, preferidos pela sua construção solida, simples mecanismo e conforto, deslizavam suaves e silenciosos, chegando a desenvolver a velocidade de 45 quilômetros  a hora.
                Em um ou outro ponto esta marcha era diminuída, já pelas condições naturais do terreno, já pela má conservação ou por efeito do trânsito que por eles se faz e que é enorme.
                Pouco depois das 11 horas e despertando a natural curiosidade dos habitantes, que alvoroçados, chegavam às janelas, penetravam os dois autos , aos sons álacres de suas buzinas, na alegre e linda Villa de Cangussú, indo parar à porta de seu operoso  intendente, nosso distinto amigo Sr. Coronel Genes Bento.
                Recebidos com essa tradicional e cavalheiresca hospitalidade rio grandense, os excursionistas ai pouco se demoraram, retirando-se momentos depois, acompanhados do Coronel Genes Bento, para o Hotel Progresso onde fez, gentilmente, servir excelente almoço.Durante este chegavam cavalheiros que iam cumprimentar os forasteiros.
                Terminado almoço e acompanhados dos nossos prestimosos e dignos amigos, Srs. Dr. Cezar Dias, Juiz da Comarca, Major José Albano de Souza, Promotor Público e Coronel João Paulo Prestes, os excursionistas saíram a passeio, visitando o espaçoso e belo edifício da Intendência, o templo Católico sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição e o Colégio Elementar. Neste funcionavam no momento as três classes, com uma frequência superior a 120 alunos.
                Acompanhados do zeloso diretor do estabelecimento, nosso amigo Sr. João Gualberto  Pinto Bandeira, os excursionistas visitaram  as referidas classes, cumprimentando seus inteligentes professores.
                No livro de visitas, o nosso companheiro F. Paradeda  lançou a lisonjeira impressão que lhe causara o Colégio Elementar, subscrevendo todos os presentes.
                Aproximando-se a hora do regresso, os excursionistas dirigiram-se ao palacete do coronel intendente do município, a fim de apresentar-lhe despedidas, sendo recebido pelo Coronel Genes Bento e sua Exma.  e virtuosa esposa que a todos cercava dos mais cativantes afagos.
                Após a ligeira palestra, os presentes foram convidados a passar à sala de refeições, sendo-lhes servida uma taça de champanhe.
                Brindaram por essa ocasião: o Sr. Coronel Genes Bento,  a Empresa Jorge Ribeiro & C., congratulando-se pelo melhoramento, inaugurando e fazendo votos pelo seu melhor êxito; o nosso amigo Cesar Dias que por tantos anos redatou o Correio Mercantil, saudando a imprensa de Pelotas nos representantes da Opinião e Diário ; o nosso companheiro F. Paradeda, ao nosso Coronel Genes Bento e Dr. Cesar Dias, dignos representantes dos poderes municipal e judiciário, o Sr. Manoel Jorge Ribeiro & C., ao Coronel genes Bento e sua distinta família.
                Trocaram-se após as despedidas , retirando-se os excursionistas, gratamente penhorados ao acolhimento do fidalgo Sr. Coronel Genes Bento e sua distinta consorte, para o Hotel Progresso, onde já os aguardavam os velozes e elegantes Fords.
                Permutados outros adeuses , entre votos de: - Boa viagem! Aos que partiram e de: - Até a volta! Aos que ficavam, os motores roncaram, os “chauffeurs” moveram as alavancas , acionaram os “guidons” e as duas viaturas deslizaram rápidas pelas lindas ruas de Cangussú, descobrindo-se os que nelas iam  numa saudação aos seus hospitaleiros habitantes, enquanto as “sirenas” vibravam sonoras, até que seus sons se perdessem ao longe.
                O regresso foi feito como a ida, sem incidentes, graças a perícia dos chauffeurs Hildebrando Ferreira da Silva e Feliciano e portando-se os automóveis de modo a confirmar  a justa nomeada da fábrica Ford.
                Descontadas as paradas, a viagem, tanto de ida como de volta, foi feira em quatro horas, sendo o percurso de 14 léguas para lá e outras tantas para cá.
                É, sem dúvida um tempo excelente, que vai se tornar menor quando se completarem as reparações que os dignos intendentes deste e do município vizinho vão mandar proceder nas estradas.
                Terminando esta breve notícia, damos parabéns a população de Cangussú pelo relevante melhoramento e aos Srs. Jorge Ribeiro &C. desejamos a melhor correspondência à iniciativa que acabam de efetuar.
                É este o horário da empresa: saída de Pelotas às segundas e sextas-feiras ao meio dia. Regresso: às terças-feiras e sábados, às 6 horas da manhã.
                O preço da passagem simples é de 15$000 e redonda 30$000, com 10% de abatimento.

Fonte: Jornal Diário Popular – 31 de julho de 1913- Arquivo Conrado Ernani Bento Cx- A volume 1

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

08 de dezembro - Dia de Nossa Senhora da Conceição


08 de dezembro, dia da nossa padroeira... Dia de Nossa Senhora da Conceição.
Embora não seja católica, estudei no Colégio Franciscano Nossa Senhora Aparecida desde o 4º ano e lá aprendi a conhecer, respeitar e admirar as imagens e a vida dos santos que nos eram relatadas pelas irmãs franciscanas com muito carinho. Mesmo minha família não sendo católica, jamais houve qualquer proibição ou mesmo manifestação de que não deveríamos ir a missa ou participar de todas as festividades ou comemorações da igreja Católica, assim sendo, foram várias as procissões de Nossa Senhora que participei ao longo de minha vida estudantil, sempre com muito respeito e verdadeira adoração. Hoje, não frequento mais a igreja, não vou as missas, as novenas,  ou a procissão de Nossa Senhora da Conceição, mas conservo em meu coração o carinho, o respeito e a fé neste espírito puro, que encarnada na vida terrena, doou-se em amor a humanidade, sendo a mãe de nosso Mestre Jesus Cristo. 

Sobre Nossa Senhora da Conceição, escrevi em uma história para crianças “ A oncinha Acanguaçu”  o seguinte:

Um dia eu andava distraída  quando de repente... Ai!... , que susto, um indiozinho estava bem na minha frente , acabamos ficando amigos e ele me batizou de Acanguaçu, que na língua dele significava , entre outras definições "  Cabeça Grande ". O tempo foi passando e a nossa amizade era cada vez mais forte, até que um belo dia não vi mais meu amiguinho, fiquei triste, desolada, pois tu sabes pequenino que ter um amigo é muito importante. Pois bem, procurei meu amiguinho e não encontrei, custei a compreender que a página tinha virado e que para eu rever meu amiguinho, precisava começar a ler tudo novamente, mas a curiosidade pelo que havia nas outras páginas do livro me fizeram avançar para a próxima página e, quando espiei devagarinho, escondido na margem , pois havia vozes alteradas, dois homens bem diferentes dos índios brigavam; eu não entendia bem o motivo da briga, mas parece que os dois queriam ser donos do mesmo pedaço de terra, até que ouvi falarem em "Nossa Senhora da Conceição" ... Sim ouvi bem direitinho, e a briga acabou, porque eles resolveram doar a terra para  Nossa Senhora da Conceição, uma bonita Senhora, cheia de luz, e fizeram para ela morar uma casinha  branca, pequena, simples mas cheia de paz e, esta Senhora era tão boa, tão querida por todos naquele lugar que homens e mulheres deixaram suas casas e construíram moradas novas, próximas a  Daquela Senhora tão boa e, para deixa-la feliz plantaram flores, fizeram uma bonita praça em frente a sua casinha.
( palavras da oncinha)

E foi assim... Sob o olhar de Nossa Senhora da Conceição que nasceu o nosso município e é assim, sob o Seu olhar protetor, do alto do cerro, que Ela olha por nós e recebe todos os anos o carinho da comunidade católica de Canguçu..  e eu, humildemente lhe agradeço todas as graças derramadas neste município e lhe peço com muita fé a Sua proteção, para que possamos todos sermos envolvidos pela Sua luz, Senhora mãe de Jesus.

Um pouco de história...
        A imagem de Nossa Senhora da Conceição, com cerca de 40 cm de altura “ de rara beleza e fina escultura” é a primitiva, somente despojada  de sua coroa de prata, maculada pelo raio que caiu em 1914. Essa imagem é de origem desconhecida e é mais antiga do que a povoação.
       No ano de 1870, ao término da guerra do Paraguai, foi pela primeira vez substituída no altar mor por acharem-na muito humilde, ao que protestou grande parcela de fiéis, sob a alegação de que:

 “Fora aquela pequenina senhora que batizara, casara e enterrara muitas gerações de fieis e também fora a que assistira as guerras, as dores e as alegrias locais, e por isso, no altar mor deveria ficar.”

            Este argumento encerrou a discussão e determinou sua volta ao altar mor.
            Em 1912- 1914, teve sua integridade ameaçada por raios que penetraram por janela lateral existente à direita do altar mor.
            Quando do incêndio da sacristia em 1921 ela foi salva das chamas pelo jovem canguçuense Valter Oliveira Prestes que, com o risco de queimar-se a salvou das chamas entre aplausos de fieis. Ele pertencia a confissão religiosa episcopal. Um sinal do atual ecumenismo.
            Em 1993, perto dos 200 anos de canguçu, a histórica imagem foi mandada pintar por restaurador especialista em Pelotas pelos casais festeiros da novena de 1993, segundo a professora Maria da Graça Valente da Silveira, em artigo do "Liberal"- Memória da padroeira de Canguçu 1998.


Fonte: Os 200 anos da Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição. 1800-2000-  autor Coronel Cláudio Moreira Bento.

domingo, 26 de junho de 2016

QUEM SOU EU?


Homenagem ao meu Canguçu nos seus 159 anos de História.

Sou um município bastante antigo, normalmente minha história é contada a partir de 1° de janeiro de 1800, com o lançamento da pedra fundamental da Capela Curada de Nossa Senhora da Conceição, porém, eu  tenho muito mais histórias para contar.
No século XVIII, minhas terras serviram de base de guerrilhas portuguesas, comandadas pelo legendário Major Rafael Pinto Bandeira,  contra os espanhóis que  avançavam pelo Rio Grande de São Pedro.
Gosto de imaginar que Érico Veríssimo, ao escrever a sua consagrada obra “ O tempo e o vento” estivesse usando como cenário as minhas terras, quando escreveu o romance Ana Terra, imaginando ele  um lugar ermo, descampado, no entanto, com uma paisagem muito bonita e própria para o desenrolar da história, visto que por aqui costumavam passar os chamados “castelhanos”.

Mas continuando ... Pelo Tratado de Santo Ildefonso, tornei-me fronteira de fato entre as terras que pertenciam a Portugal e Espanha por cerca de 24 anos (1777/1801).  Meus povoadores foram os guerrilheiros das tropas de Rafael Pinto Bandeira,  portugueses deslocados da colônia do Sacramento que passou para o domínio espanhol e açorianos que vieram para povoar  os 7 Povos das Missões por estar estes envolvidos pela Guerra Guaranítica, permaneceram na região de Mostardas, Estreito e São José do Norte, vindo parar em minhas terras.
Somente em 1857, pela Lei Provincial n° 340, passei a existir como município; neste meio tempo, cheguei a integrar os municípios de Rio Grande e Piratini. Meus filhos lutaram em todos os movimentos armados do sul do país, lutaram também no Paraguai e foram integrar as Força Expedicionária Brasileira na Itália, durante a 2ª Guerra Mundial. Esta parte da história é triste, foram muitas perdas brasileiras e eu não gosto de lembrar.
            Sou um município miscigenado, como de resto todo o país. Recebi em minhas terras, portugueses, espanhóis, africanos, italianos, pomeranos e tantos outros, isto  sem falar nos índios, nativos das minhas terras;  desta mistura nasceu este povo canguçuense ao qual agradeço, pois ao longo do tempo fizeram de mim o que hoje sou, um município próspero, reconhecido como um das maiores economias da Zona  Sul do Estado, um município que luta, que prospera e que a cada novo dia se enche de esperança no futuro.





            

domingo, 3 de abril de 2016

Nossa Igreja Matriz... Nosso belo cartão postal












A muito tempo não me dedico a este blog... 

Hoje bateu a saudade...

Quando vejo, imponente, a Igreja Matriz lançando seu olhar sobre os filhos desta terra... 

Relembrando a história, sei que a "nossa Igreja", o nosso "cartão postal", no passado enfrentou sérias dificuldades estruturais e também,  devido ao grande número de seguidores, sua estrutura  ficou pequena para abrigar os fiéis, precisando recorrer a uma reforma do templo, achei importante trazer a vocês esta história.

Gostaria de registrar que quando falo "nossa Igreja Matriz" é porque a percebo de todos os Canguçuenses, católicos ou não. Justifico que embora não sendo Católica, reconheço a importância histórica deste templo  e desejo que para todo o sempre esteja nossa igreja ali, naquela esquina, com suas portas abertas, acolhendo os canguçuenses e visitantes, mostrando toda a sua beleza, elevando os espíritos de todos os que passam pelo seu portal, seja em busca de consolo espiritual, das bençãos do Senhor ou para uma simples visita.

Que nossa bela Igreja Matriz viva para sempre.



AS OBRAS DA IGREJA MATRIZ DE CANGUSSÚ.

OBS: Na época o nome do município era escrito com  SSÚ, tendo sido alterada para “ Canguçu” somente na década de 1960. O título da matéria foi escrito conforme o original, nas demais vezes em que a palavra aparece usei a grafia atual.

             Entre as várias obras de arte em andamento no sul- do país, de autoria e realização do artista conterrâneo Adail Bento Costa, inclui-se a centenária Igreja Matriz de Canguçu.

TEMPLO CENTENÁRIO E COMBALIDO

            Esta igreja, contando atualmente 150 anos, atingira um péssimo estado, quanto a sua resistência, embora toda construída em pedra. Lançada em boas proporções arquitetônicas, sobretudo para a época em que foi construída já se tornara pequena para a cidade atual.

TORNOU-SE NECESSÁRIO AUMENTA-LA

            Formaram-se duas correntes, uma era a favor da conservação da antiga igreja, coisa alias justíssima, em se tratando de patrimônio histórico e quiçá artístico, pois a igreja encontrava-se por último, completamente deturpada. A outra, era de opinião que se deveria demolir o templo, fazendo-se uma outra igreja completamente nova  e em bem maiores proporções.

CONVIDADO O ARTISTA

            Indo a passeio a Canguçu, Adail Bento Costa foi convidado a dar sua opinião sobre o assunto. Achamos que a comissão-de-obras agiu com grande felicidade em convidar o artista, porque sendo ele um dos maiores conservadores de arte antiga do Brasil, conseguiu num relance conciliar os dois pontos-de-vista, ou seja, conservando a linha arquitetônica primitiva e aumentando a resistência e o tamanho necessário aos fiéis.

CONCILIADOS OS PONTOS DE VISTA

            Estes dois pontos-de-vista foram unidos da seguinte maneira: conservando a fachada com as duas torres, restaura-las, suprimindo tudo o que tenha sido adicionado posteriormente à construção (deturpações), demolir o resto da igreja e construir outra mais longa, composta de 3 naves, separadas por arcos laterais, capela-mor, capela Nossa Senhora das Graças, uma sacristia e uma biblioteca que por sua vez liga-se a casa paroquial.

PERSPECTIVA DA OBRA EM CONJUNTO

            A igreja está situada defronte a praça central. No decorrer da fachada, à esquerda, será construído um muro e portões coloniais, dando acesso a um jardim e casa paroquial que é ligada a matriz, fazendo parte integral do bloco da construção. Do lado direito há uma rua em declive que, chegando à parte posterior dá-nos mais 4 metros  e vinte de altura ao templo. Tal diferença facilitou a construção de um grande salão paroquial sob a sacristia e que abrange toda a largura da igreja.
            Sendo assim, de vários pontos da cidade, essa obra nos dará perspectivas surpreendentes de grande beleza quer no que diz respeito à obra de estilo, como enquadrada em conjunto no difícil e pitoresco plano urbanístico.


DECORAÇÃO DO TEMPLO

            Será feita no gosto da época em que foi construída, queremos dizer: primando pela singeleza. Assim as paredes serão caiadas de branco. Os tetos em óleo branco-fosco. Os altares nichos, em óleo branco- fosco e molduras, florões e demais ornatos, serão recortados em azul-português brilhante. As portas internas e externamente, no mesmo azul. As imagens serão as mesmas antigas, em cedro esculpido, laminadas em ouro e pintadas em estilo barroco, restauradas por Adail bento Costa, os lustres e demais pendentes de iluminação, obedecerão estritamente as exigências do estilo, bem assim as credências, os bancos a mesa da comunhão, confessionários e demais mobiliários  ao culto.
            Serão conservados também a pia batismal (trabalho originalíssimo, rústico em granito)e mais duas para água benta, à entrada da porta principal. É preciso acentuar que todo o mobiliário será desenhado e dirigido por Adail Bento Costa.

EXEMPLO DE GENEROSIDADE DIGNO DE IMITADORES

            Adail Bento Costa nasceu na cidade de Pelotas. Sua Exma. progenitora era filha de Canguçu, pertencendo à tradicional família Bento, uma das maiores lá existentes. Eis um dos motivos pelos quais ao aceitar a responsabilidade da obra, o artista ofertou gratuitamente o seu trabalho.
            Saudando o povo canguçuense  no primeiro centenário de sua cidade, almejamos que esse exemplo de desprendimento encontre eco entre os verdadeiros amigos dessa terra de tradições heroicas e de rasgos generosos, empenhados seriamente em dotar em breve a sede municipal de uma obra arquitetônica digna de seus reconhecidos foros de cultura.


Igreja Matriz Nossa Senhora da Conceição
Ano: 1949

Arquivo fotográfico do Museu Municipal Capitão Henrique José Barbosa
 Estamos publicando nesta página uma reportagem sobre a restauração da Matriz de Canguçu (trabalho do nosso prestimoso colaborador Dr. Francisco Dias da Costa Vidal) em que são focalizados pormenores da obra.
           
Nada mais justo e oportuno do que entrevistar o Dr. Tasso Selistre, presidente da comissão de obras, a fim de que nos relatasse o trabalho da mesma comissão na importante campanha em prol da restauração do tradicional templo.

IMPORTANTES DECLARAÇÕES DO DR. TASSO SELISTRE

            Abaixo transcrevemos nossas perguntas e as respostas do Dr. Tasso Selistre, presidente da comissão de obras pró-restauração da matriz de Canguçu:

-Como está constituída a Comissão de Obras?

-A atual Comissão de Obras data de 7 de dezembro de 1953, quando nomeada por S. Excia. Rvma Dom Antônio Zattera , D.D. Bispo Diocesano, o qual houve por bem distinguir-nos com a presidência,  sendo constituída de mais os seguintes membros efetivos : Hugo Nobre do Nascimento, vice-presidente; Cândido Silveira Van-Gysel, primeiro tesoureiro; Thomaz Fonseca, segundo tesoureiro; Raul Soares da Silveira, secretário.
É óbvio que a Comissão sempre foi assessorada pelos Ver. Padres da paroquia Júlio Marins e Zomar Garcia, vigário e coadjutor respectivamente, e Hilário de Melo Munhoz e Severino Frizzo, que o sucederam.

-Como foi iniciada a campanha para angariação de fundos para a vultosa obra?

          -As condições precárias do velho e tradicional templo a muito prendiam a atenção dos católicos de Canguçu e preocupavam os seus frequentadores. Daí uma série de iniciativas levadas a efeito no decorrer dos anos, seja para soluções de emergência, seja para uma obra de caráter definitivo e que já se vislumbrava. Neste sentido destaca-se a campanha desenvolvida por um grupo de senhoras da sociedade local, encabeçada pela distinta dama D. Cacilda Moreira Bento, pertencente a uma das mais antigas famílias do município, cuja coleta somada a outros donativos, proporcionou a comissão uma apreciável base para o começo de suas atividades, um encaixe de cerca de Cr$ 100.000,00, isto nos primeiros meses de 1954.
   Posteriormente novas instituições foram criadas, por exemplo: a dos legionários, os que contribuíam com um mínimo de Cr$ 2.000,00 ainda que parceladamente e que terão os nomes gravados  no interior da Igreja; a dos provedores, a cargo das dedicadas zeladoras do apostolado da oração e auxiliares,  o  que mediante módicas contribuições mensais , ensejam  a indenização de pequenas e correntes despesas; a dos obreiros, isto é, os que contribuem com mão de obra ou material de construção. Acresçam-se  a isso prestimosas  doações de fiéis  e amigos de Canguçu.
           
         - Em quanto está orçada a restauração final?

         - O projeto adotado é de autoria do preclaro professor Adail bento Costa , acompanha-se de um orçamento  a título informativo que supera Cr$ 3.000,00. Todavia cumpre salientar  que esse custo baixará muito dadas a orientação seguida  e a reiterada gratuidade  verificada: Planta, responsabilidade  do arquiteto, serviços materiais ,transporte, etc.

         - Para quando está previsto o término da obra?

        -Não há tal previsão, precisamente porque a reconstrução da Matriz está e continuará subordinada as condições do momento, às possibilidades que se abrirem em consonância com a maior ou menor cooperação encontrada. Pode-se dizer que os canguçuenses tem em suas mãos o controle da celeridade das obras.

         -Como foi recebida pela população de Canguçu a ideia da restauração da Matriz?

        -Não se trata de uma ideia recente e sim amadurecida. A diferença está em que, agora se a pôs em prática, se  concretizou. Alias uma decorrência imperante da necessidade. A edificação antiga se ressentia da ação prolongada e destruidora do tempo, tanto que três técnicos condenaram-na, chegando a admitir o perigo de que ruísse.

       - Tem sido bem recebida pelos canguçuense a campanha desenvolvida pela comissão de obras?

    - Tudo faz crer numa afirmativa, mesmo diante da generosidade dos auxílios prestados e do interesse, quiçá, entusiasmo, manifestado pelos canguçuenses  no reerguimento da Matriz. Isso até permitiu a aquisição de um valioso prédio, situado na Praça Marechal Floriano, em pleno centro da cidade, a construir um fundo patrimonial da paroquia e resolvendo a difícil situação criada com a demolição do primitivo templo: instalação transitória da Igreja, da casa paroquial e das obras assistenciais.

         Ao finalizar, o Dr. Tasso Selistre nos prestou mais as seguintes declarações  sobre a restauração da centenária Matriz:

      A Igreja parcialmente demolida há mais de século e meio acolhia o povo de Canguçu, nela se lhe dispensando conforto moral e espiritual. Na sua reconstrução, muito ampliada em virtude das necessidades da paroquia, conservar-se-á  o estilo e se manterá  a fachada em respeito a tradição.
     A proposito salienta-se que professor Adail Bento Costa, renomado artista patrício, apanhou e compreendeu com muita exatidão os sentimentos dos paroquianos de N. S. da Imaculada Conceição ao elaborar o seu projeto.
     A interferência do professor, planificando e orientando a obra é algo de decisivo  e inestimável para o empreendimento, reflexo de um desprendido e magnífico coração, não menos valioso sendo os préstimos do seu colaborador, o engenheiro Fernando Bezerra Bertoli. A nova Matriz será obra de mérito marcante para Canguçu e seus filhos. Quem constrói a casa de Deus na terra, constrói o próprio lar no céu.


FONTE: Jornal Diário Popular de 14 de novembro de 1957   
            
Arquivo Nº 2 - Museu Municipal Capitão Henrique José Barbosa 



 Igreja Matriz  Nossa Senhora da Conceição
No ano de 2015 realizou a sua 102ª  Novena em homenagem a Padroeira do Município



Coroação de Nossa Senhora - década de 1940

Arquivo Fotográfico do Museu Municipal Capitão Henrique José Barbosa

(OBS- O estandarte de Santa Terezinha que aparece a direita na foto encontra-se em exposição no Museu Municipal Capitão Henrique José Barbosa)

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

UM ADEUS AO ESTEIO MESTRE DO CTG SINUELO


( Fotografia tirada em 04.08.2005)

Dia 15 de setembro... Semana Farroupilha... Data especialmente escolhida por Nosso Senhor para a despedida de um grande tradicionalista, Senhor Armando Ecíquio Peres.
Há momentos em que procuramos as palavras certas para expressar a grandeza das pessoas, ou aquilo que sentimos frente a determinados acontecimentos, mas por incrível que pareça, todas as palavras somem e nos deixam sem saber como expressar o que pretendemos.
Sabe-se que este amigo já estava idoso, doente, talvez até cansado de andar por esta existência... Por certo sentia falta dos amigos que partiram antes para a eternidade e saudade da companheira de tantos anos. Tudo isso é fácil de entender e enxergar, difícil será ver o CTG Sinuelo sem o seu “Esteio Mestre”, aquele que lhe deu vida, que o ergueu e reergueu, aquele que o embelezou e deixou a sua marca em cada tijolo, em cada telha, em cada parede construída.
Acredito hoje o CTG Sinuelo teve a sua maior perda, mas dizer só isso seria muito pouco, o certo seria dizer que o tradicionalismo hoje está de luto pela partida de seu grande incentivador e Canguçu chora sentidas lágrimas por este filho que a tantos anos adotou como seu... Já não se encontra entre nós aquele que tanto amor dedicou a tradição gaúcha, aquele que tanto amou o CTG Sinuelo.
Sr. Armando Ecíquio Peres, quem no meio tradicionalista não o conheceu?...
Vou lembrar com carinho todas as vezes que me chamou de “minha querida”, numa clara demonstração do afeto que tinha por todas as prendas que representaram um dia o CTG Sinuelo, entidade da sua mais cara adoração.
Lembro-me ainda o quanto torcia para que conseguíssemos alcançar a tão almejada titulação de 1ª Prenda da 21ª Região Tradicionalista ... Lembro da sua alegria e satisfação quando conseguíamos conquistar a faixa que ele, talvez até mais do que nós , adorava e valorizava... Lembro também o quanto sentia-se entristecido e frustrado quando o Sinuelo participava dos concursos estaduais não conseguia o titulo que ele tanto esperava, o de 1ªPrenda do Estado do Rio Grande do Sul, Acredito que a amiga Janeti Vargas, 1ª Prenda do Estado do Rio Grande do Sul, a Viviane Oliveira, Primeira Prenda Mirim do Rio Grande do Sul e a amiga Nilceane Fonseca, 2ª Prenda Mirim do Rio Grande do Sul, deram para este velho amigo o melhor dos presente, o tão sonhado título estadual, não estive presente em nenhum destes momentos, mas posso imaginar a sua satisfação e grande alegria. Perdoa-me velho amigo por também não ter te dado esta alegria.
Gostaria de imaginar que...
Por certo hoje , nem bem clareou o dia, teu grande amigo Raul Silveira, já estava na porteira a tua espera, te convidando a chegar para diante na estância celestial ... Imagino-os, depois de um bem cinchado abraço, sorvendo um bom chimarrão e declamando as poesias que os dois tanto gostavam.
Imagino ainda...
Que o trio, agora completo, Armando Ecíquio Peres, Raul Silveira e Pedro Luiz, erguerão na estância celeste, um grande galpão para que também lá possam seguir amando a cultura gaúcha, declamando, cantando e acolhendo a todos os que forem chegando com aquela tradicional hospitalidade do Rio Grande.

Senhor Armando Peres, ao senhor o meu carinho e o meu respeito.

ARMANDO ECÍQUIO PERES

                   Nasceu em Herval, no RS, no dia 03 de outubro de 1917. Filho de João de Deus Peres e Leonídes Alexandrina Peres, formando uma família composta por 7 irmãos.
             Casou-se em 30 de maio de 1941 com a  senhora Almerinda Soares Peres (dona Santa).
             Armando Peres iniciou sua caminhada no tradicionalismo na década de 50, no C.T.G Alexandre Pato de Lagoa Vermelha, passando pelo C.T.G 20 de Setembro de Piratini como sota-capataz , após foi patrão do C.T.G Felipe Portinho se Marau e finalmente 8 vezes patrão do C.T.G Sinuelo de Canguçu.
             Chegou à Canguçu em 23.12.1963, transferido da Coletoria Federal de Marau, para aqui trabalhar; aqui chegando, tornou-se amigo de Raul Soares da Silveira e de Pedro de Oliveira Luiz.
             Em 20 de setembro de 1964 fundou , juntamente com Raul Silveira o  C.T.G Sinuelo .
      Armando Peres teve ainda as seguintes participações dentro do  Tradicionalismo:
- Sota-capataz do C.T.G 20 de Setembro de Piratini;
- Fundador do C.T.G Sinuelo de Canguçu .Construtor e mais tarde restaurador do galpão.
 Patrão do C.T.G Sinuelo por 8 vezes.
- Patrão do C.T.G Felipe Portinho de Marau.
- Coordenador da 21ª RT por 9 vezes.
 Conselheiro do M.T.G ,eleito por vários períodos ,bem como membro da junta fiscal do M.T.G.
- Conselheiro do Piquete “Vanguardeiro”.

ALGUNS TÍTULOS E HOMENAGENS RECEBIDAS

- Moção de louvor da Câmara Municipal de Vereadores de Canguçu.
- Honra ao Mérito (Piquete Raul Soares do Amaral de Piratini)_
- Ordens de Bento Gonçalves e Joaquim Teixeira Nunes de Pedro Osório.
- Sócio fundador e efetivo do Instituto De História e Tradição (IHTRS)
- Sócio Acadêmico da ACANDHIS- Cadeira n°8-patrono Zeca Neto.
- Cartões de Prata da ASCANSUL,da Gauchada de Pedro Osório ,da rádio  Alvorada de Marau e do CTG  Felipe Portinho de Marau.
- Sócio de honra e benemérito  do CTG s 20 de Setembro de Piratini
-e Tropeiros da Querência de Arroio Grande.
- Sócio Honorário   do CTG Minuano do Herval.
-Honra ao Mérito da Divisão L 8 H-2 do Lions Club.
-Cidadão canguçuense.
-Comenda da Ordem de J Simões Lopes Neto .
-Comenda da Ordem de Gumercindo Saraiva da 21ª RT.
-Títulos de Conselheiro Honorário e Conselheiro Benemérito do Movimento Tradicionalista Gaúcho.
-Destaque especial da Rádio Cultura em 1999-Mérito tradicionalista  21ªRT.

             Armando Eciquio Peres faleceu em Canguçu aos 97 anos de idade, no dia 15 de setembro de 2015, durante os festejos da Semana Farroupilha, justamente no dia da Ronda do CTG Sinuelo, seu CTG do coração.



XIII Congresso Tradicionalista em São Gabriel - 1967


Raul Silveira, Pedro de Oliveira Luiz e Armando Ecíquio Peres

Fotos: Arquivo Fotográfico do Museu Municipal Capitão Henrique José Barbosa